A água que curou o mundo e o médico que ninguém retém
No Médio Alto Uruguai, um município se chama Cidade Saúde, tem a segunda melhor água termal do planeta — e não consegue reter um médico.
O município, no extremo norte do Rio Grande do Sul, se apresenta oficialmente como Cidade Saúde. Não é força de expressão: a água do Balneário Osvaldo Cruz jorra de uma fenda na rocha a 36,5 graus, quase quatro litros por segundo, e foi condecorada em Sevilha, nos anos 1930, como a melhor água mineral termal do Brasil e a segunda do planeta. Há quase um século, gente doente atravessa o estado para se banhar ali. A cidade que vende cura ao mundo é a mesma que não consegue reter o próprio clínico.
O nome já era um diagnóstico. Irahy, na língua indígena, quer dizer águas do mel — foi assim que os revolucionários federalistas que chegaram às barrancas do rio Uruguai em 1893 batizaram o barreiro cercado de colmeias onde as fontes quentes brotavam com força. Quando o município se emancipou, em 1933, o primeiro prefeito empossado foi um médico, Vicente de Paula Dutra. A região nasceu com um médico no comando e passou os noventa anos seguintes procurando o próximo que ficasse.
A medicina daqui tem camadas que o folheto termal não mostra. Dentro do município vive uma comunidade Kaingang em terra demarcada no início dos anos 1990, depois de longa disputa — centenas de indígenas cuja saúde passa pela mesma rede que atende o colono da roça de morro. O hospital local, o Nossa Senhora Auxiliadora, é filantrópico e pequeno, do tipo que depende de repasse estadual para fechar a folha, como em 2023, quando entrou na lista de socorro do governo gaúcho para pagar o 13º. Retaguarda grande, mesmo, fica em Frederico Westphalen e além. Quem atende no PSF daqui decide muito sozinho.
É esse o preço, e convém dizê-lo inteiro: sete mil habitantes, fronteira de água funda com Santa Catarina, capital a um dia de ida e volta, carreira acadêmica a horas de distância. Os médicos vêm, cumprem o ciclo e seguem — por isso a prefeitura paga o que paga e credencia em fluxo aberto, sem concurso. Em troca, a rotina que os grandes centros não oferecem: consultório de manhã, a aldeia e o interior de tarde, e no fim do dia a fonte termal a poucos minutos, aberta a quem trata os outros também.
A porta tem forma de edital: credenciamento como Médico PSF, entrada como pessoa física ou jurídica, inscrições de 04/02/2026 a 04/02/2027 junto à Prefeitura, remuneração de R$ 20 mil/mês. O município passou noventa anos curando quem vem de fora. Vá ver de perto se ele consegue, enfim, segurar quem cura.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 20 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Médio Alto Uruguai, Rio Grande do Sul
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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