A que queimou e hoje trata queimados
No Recôncavo Baiano, o Brasil foi condenado numa corte internacional — e ainda procura o médico que fique.
O município explodiu em 11 de dezembro de 1998. Numa fábrica clandestina de fogos de artifício na zona rural, 64 pessoas morreram — 63 eram mulheres, 22 eram crianças e adolescentes, quase todas negras, pagas cinquenta centavos por milheiro de traque. Em 2020, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil pelo que aconteceu ali. É raro um município de interior figurar numa sentença internacional; este figura.
Fora dessa data, a cidade é outra coisa: o entreposto comercial do Recôncavo Sul, a 180 quilômetros de Salvador, onde meio Recôncavo vem comprar móvel, roupa e eletrodoméstico. Nasceu no século XIX como ponto de convergência de comércio e nunca deixou de ser — o dinheiro circula ali como em poucas cidades daquele porte na Bahia. E a pólvora, legalizada ou não, seguiu sendo ganha-pão de fundo de quintal.
A antítese do município cabe numa frase: o lugar que queimou é hoje quem trata os queimados. O Hospital Regional tem 150 leitos, 20 de UTI e uma unidade de queimados que serve de referência para 32 municípios — cerca de 900 mil pessoas desembocam ali quando a coisa aperta. A UFRB instalou no local seu Centro de Ciências da Saúde e um curso de Medicina. Ou seja: a região forma médicos, recebe médicos, concentra a alta complexidade — e mesmo assim a atenção básica gira num carrossel de rostos que não ficam.
É aí que a vaga dói e é aí que ela vale. O PSF numa cidade dessas não é posto de aferir pressão: é a primeira linha de um território onde as famílias da explosão ainda moram, onde o trabalho perigoso não acabou por decreto, onde o Regional só dá conta do que a porta de entrada não segurou. Sua semana seria consulta de manhã, visita de território à tarde — e a feira do sábado, onde em pouco tempo o paciente cumprimenta o médico pelo nome. Quem precisa de anonimato não aguenta; quem precisa de vínculo não larga.
A porta tem forma de edital: credenciamento, sem carteira assinada, entrada como pessoa física ou pela sua empresa, com sessão pública em 07/04/2026 às 08:00 e fluxo contínuo depois dela. A função é Médico PSF e a remuneração é R$ 12,7 mil/mês. Não é vaga para quem quer passar — a cidade já viu gente demais passar. É para quem quer ser a primeira linha de um lugar que conhece, melhor que ninguém no país, o preço de ficar desassistido. Vá ver o Recôncavo de perto.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 12,7 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Recôncavo Baiano, Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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