A choupana de palha, o presidente que não tomou posse e a vaga que ninguém ocupa
No Baixo Sul da Bahia, um município nasceu de uma choupana de palha à beira de estrada de tropeiro, leva o nome de um presidente que morreu antes de tomar posse — e tem cinco equipes de saúde da família e um hospital-maternidade para cobrir com médico que não aparece.
No Baixo Sul da Bahia, entre a mata atlântica e o caminho velho que ligava as roças a Valença, Nazaré e Aratuípe, tudo começou com uma choupana de palha à beira da estrada. Era o armazém de uma mulher chamada Liberina, que vendia comida e bebida aos tropeiros de burro carregado e comprava deles farinha de mandioca e cacau. O lugar virou ponto, o ponto virou povoado, e o povoado ganhou o nome dela: Tabuleiro de Liberina, ainda nos anos 1940.
O que transformou o tabuleiro em cidade foi asfalto. A BR-101 cortou a região no fim dos anos 1950 e foi pavimentada em 1968; com frete barato, o povoado cresceu depressa. Em 1988 os moradores foram às urnas num plebiscito e decidiram se separar de Valença — a emancipação saiu em 24 de fevereiro de 1989, pela Lei Estadual nº 4.836. O nome escolhido homenageava o mineiro eleito presidente em 1985 pelo Colégio Eleitoral, adoecido na véspera e morto sem jamais vestir a faixa. Um município batizado com um luto nacional: começou a existir no mesmo movimento em que o país aprendia a votar de novo.
Hoje são cerca de 25 mil habitantes em pouco mais de 440 km², e a terra continua mandando. Cacau, mandioca, banana e fruta em regime de agricultura familiar, no coração da faixa do dendê e da piaçava que dá identidade ao Baixo Sul baiano — a região onde a fibra vira vassoura e o coco vira azeite, e onde o campo pesa quase um terço do PIB municipal. É paisagem de roça densa, chuva farta, estrada de barro que sai da BR e some no verde.
E é exatamente por isso que a cadeira do médico não fica ocupada. Cinco unidades de saúde da família espalhadas pela zona rural mais um hospital-maternidade municipal que não pode fechar a porta de madrugada: é muita escala para pouca gente disposta a morar longe do litoral badalado que fica a uma hora dali. Quem chega encontra o oposto do que temia — população pequena o bastante para conhecer nome de paciente, e demanda grande o bastante para que o trabalho tenha efeito visível em poucos meses.
O município abriu o Credenciamento nº CR001/2026-SEMUS (Inexigibilidade IN001/2026) e mantém a inscrição em fluxo contínuo, por prazo indeterminado — protocolos são recebidos desde 2 de abril de 2026 e novos interessados podem entrar a qualquer tempo, como pessoa física ou jurídica. O clínico geral nas cinco USF/PSF recebe R$ 13.500,00 por mês (segunda a quinta, 8h por dia). O plantão de 24 horas no hospital-maternidade paga R$ 2.285,65 de segunda a sexta e R$ 2.417,50 em fim de semana e feriado. A inscrição se faz por protocolo no Setor de Licitações ou por e-mail — telefone (73) 3540-1025, licitacaoptn2025@hotmail.com. A porta está aberta e continua aberta: falta quem atravesse.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista Hospital
- Quanto pagam
- R$ 13,5 mil/mês ou R$ 2,3 a 2,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Baixo Sul da Bahia
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