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Credenciamento · Vale do Jaguaribe, Ceará

A cidade cor de barro cozido

No Vale do Jaguaribe cearense, um município queima 50 milhões de telhas por mês para cobrir o Nordeste — e não consegue fechar a escala do próprio pronto-socorro.

A cidade queima cinquenta milhões de peças de cerâmica por mês. São mais de 150 olarias cozendo, dia e noite, a argila que a cheia do Jaguaribe deposita na várzea — o maior polo de telha colonial do país, dono de mais de sessenta por cento da produção do Ceará. No fim da tarde, a fumaça dos fornos sobe avermelhada sobre a planície, e foi esse tom de barro cozido que deu cor e fama ao lugar muito antes de qualquer edital de saúde.

A contradição cabe numa frase: o município que cobre os telhados de meio Nordeste não consegue cobrir a escala do próprio plantão. A BR-116 corta o território ao meio e põe Fortaleza a pouco mais de duas horas e meia de asfalto — perto o bastante para todo médico recém-formado ir embora, longe o bastante para quase nenhum voltar. O Jaguaribe, maior rio do Ceará, some no verão e reaparece na cheia; o quadro médico do município segue o mesmo regime intermitente.

E no entanto é aqui que o mapa da saúde do Vale está sendo redesenhado. Desde 2021, o Hospital Regional Vale do Jaguaribe, erguido à beira da BR-116 entre o município, Limoeiro do Norte e Morada Nova, dá retaguarda a cerca de vinte municípios e meio milhão de pessoas — trinta leitos de UTI, oncologia, hemodinâmica. E a UFC, que já tem campus na cidade, prepara a construção do bloco que abrigará o primeiro curso de Medicina do Vale do Jaguaribe. A retaguarda chegou; a porta de entrada é que continua desguarnecida.

É essa porta que o edital oferece. De manhã, o PSF nos bairros que cresceram em volta das olarias — hipertenso que trabalha no forno, poeira de argila no pulmão, sol de sertão o ano inteiro. À noite, o pronto-socorro municipal, onde você é a primeira mão que o infarto e o acidente da BR-116 encontram antes do regional. Não há fila curta nem ar-condicionado que resolva o calor de dezembro; há o nome do médico conhecido na feira e uma população inteira que sabe quem segurou a porta.

A entrada tem forma de chamada pública: credenciamento, pessoa física ou jurídica, pela Chamada Pública nº 003/2026-SEMUS — envelopes entregues em mãos à Comissão de Contratação, na Travessa João Nogueira da Costa, 01, Centro, de 22/06 a 10/07/2026 (até 17h), com sessão de abertura em 13/07. Paga-se R$ 13,7 mil/mês ou R$ 3 mil/plantão 24h. Os fornos da cidade não apagam nunca; quem aguenta trabalhar perto do fogo é que faz o lugar existir. Vá ver de perto.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 13,7 mil/mês ou R$ 3 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Vale do Jaguaribe, Ceará
📍 Onde fica
📍Russas/CE

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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