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Credenciamento · Sertão da Bahia · Piemonte da Chapada Diamantina Norte

A cor de creme que come médico rotativo

No Sertão da Bahia, Piemonte da Chapada Diamantina Norte, exportam o próprio chão — o mármore Bege Bahia atravessa o Atlântico, mas o rio não atravessa o ano.

O município exporta o próprio chão. A pedra cor de creme que sai serrada das pedreiras deste lugar do sertão baiano é o Bege Bahia — a única rocha ornamental do estado que é extraída e beneficiada ali mesmo, antes de virar piso de sala em São Paulo e fachada de prédio do outro lado do Atlântico. São cerca de sessenta empresas e um milhar de trabalhadores vivendo da pedra, numa cidade de pouco mais de vinte mil habitantes que se emancipou de Jacobina em 1989 e é das poucas na Bahia onde a prefeitura não é o maior empregador.

A contradição da cidade cabe numa frase: o mármore atravessa o oceano, mas o rio não atravessa o ano. O Salitre, que já foi perene por aqui, hoje é um leito que depende da chuva — e chuva, no Polígono das Secas, é artigo racionado em três meses. Caatinga, poeira branca de serraria, e calor que trabalha em dobro sobre quem corta pedra o dia inteiro.

A saúde local é do tamanho exato da atenção básica: oito UBS espalhadas entre sede e povoados, um hospital municipal que é a porta de entrada e o pronto-socorro. Não há retaguarda na sala ao lado — o caso grave pega a estrada até Jacobina, setenta quilômetros, e Salvador fica a 406. É por isso que a vaga come médico rotativo: quem vem só pelo plantão descobre que o lugar pede as duas medicinas ao mesmo tempo, a da família — hipertensão e diabetes de marmorista, poeira de rocha no pulmão — e a da porta que não fecha. Quem entende isso fica; quem não entende dura um São João.

Sob esse mesmo calcário que vira dinheiro, abre-se a Toca dos Ossos, caverna que guarda fósseis da megafauna do Pleistoceno — preguiças-gigantes que os espeleólogos mapearam no escuro — e que o Ministério Público da Bahia fomentou transformar em reserva ambiental. Em cima, a pedra paga salário; embaixo, um cemitério de eras. No meio, a rotina possível: PSF de manhã, plantão quando escalar, e o seu nome conhecido na fila da serraria antes do primeiro mês.

A porta tem forma de edital de credenciamento: você entra como autônomo, pessoa física ou jurídica, em fluxo contínuo — as inscrições correm de 26/03/2026 a 26/03/2027, e a papelada protocolada junto à prefeitura resolve o vínculo sem concurso. Paga-se R$ 14,1 mil/mês ou R$ 2,4 mil-5 mil/plantão 24h. O valor reconhece a distância, a seca e a solidão clínica — nada aqui finge o contrário. Se a sua medicina aguenta o intervalo entre uma chuva e outra, vá pisar o lugar que o mundo inteiro já pisa sem saber.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 14,1 mil/mês ou R$ 2,4 mil-5 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Sertão da Bahia · Piemonte da Chapada Diamantina Norte
📍 Onde fica
📍Ourolândia/BA

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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