A cidade das carrancas que precisa de um médico
Onde a BR-242 cruza o Velho Chico, Oeste da Bahia tem hospital novo de R$ 98 milhões — e um plantão esperando quem tiver coragem de chegar.
A localidade é onde a BR-242, a estrada que liga Salvador a Brasília, precisa de uma ponte para atravessar o São Francisco. Tudo neste lugar deriva desse encontro: o caminhão que desce do oeste graneleiro, o pescador que sobe do rio, e a fila do pronto-socorro, que mistura os dois. São mais de seiscentos quilômetros de sertão até a capital — quem adoece grave no médio São Francisco não tem para onde correr senão para aqui.
Nas proas dos barcos daqui ainda viajam as carrancas, os bichos-gente de madeira que os ribeirinhos esculpem há gerações para espantar os maus espíritos das águas. Em 2025, o projeto de repovoamento das carrancas virou o vencedor do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Iphan — quarenta peças novas voltaram às mãos dos pescadores. Contra a falta de médico, porém, ainda não inventaram amuleto que funcione.
A novidade é que agora existe retaguarda de verdade: em agosto de 2025 o Estado inaugurou o Hospital Regional do Velho Chico, quase R$ 98 milhões investidos, 89 leitos, UTI, centro cirúrgico reformado, tomografia, urgência 24 horas. É a contradição local em uma frase: a estrutura chegou antes das pessoas — o prédio novo referência de uma bacia inteira, e a porta de urgência ainda pedindo quem a segure.
Segurar essa porta é o trabalho. Plantão de pronto-socorro numa cidade-polo: o acidente da BR-242 chega junto com a criança da ilha e o lavrador picado de escorpião, e a população que bate na recepção é muito maior do que a que mora dentro do município. Na estação seca, o termômetro do vale passa dos quarenta. Quem precisa de shopping e de anonimato não dura um verão; quem precisa de casos que ensinam, dura anos.
Fora do plantão, a vida é de beira de rio: o pôr do sol na ponte, a feira onde em poucas semanas o balconista já sabe seu nome, o peixe comprado direto da canoa — talvez com uma carranca nova na proa. Custo de cidade pequena, comércio forte por causa da estrada, e o que sobra do plantão sobra de verdade.
A porta de entrada tem forma de edital de credenciamento: você contrata como autônomo, pessoa física ou jurídica, sem concurso, com inscrições abertas em fluxo contínuo de 07/05/2026 a 07/05/2027. Paga-se R$ 100/hora — mínimo R$ 2,4 mil/mês, e quem topa mais plantões leva mais. O rio corre ali há mais tempo que qualquer mapa; o hospital novo está esperando na margem. Atravesse a ponte e vá ver.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 100/hora — mínimo R$ 2,4 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Oeste da Bahia, vale do São Francisco
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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