A cidade das mãos que faltam
No Território do Sisal, sertão da Bahia, um município fez fortuna com o sisal — e pagou em dedos, mãos e braços. Agora procura médico para o PSF.
O município, no sertão da Bahia, é o maior polo industrial de sisal do país — e na região que a cerca há mais de dois mil trabalhadores mutilados pela máquina que desfibra a planta. A "Paraibana", motor dos anos 1940 movido a correia e sem proteção, é proibida pela lei trabalhista desde 1943 e continua roncando nos campos, porque a substituta segura produz menos e o quilo da fibra não perdoa. O aperto de mão nesta região tem, com frequência, dedos a menos.
Essa é a contradição que define este lugar: a fibra que o enriqueceu viaja inteira para virar corda no mundo; quem a arranca da caatinga fica pelo caminho, em pedaços. E é também a medida do trabalho de quem atende aqui — coto que inflama, fantasma de dor onde havia um braço, hipertenso que ainda opera motor porque não sabe fazer outra coisa.
O sistema de saúde local não é deserto. Desde 2014 o Hospital Regional é gerido pelo Hospital Português, referência de Salvador, cobrindo média complexidade pelo SUS para cerca de 63 mil pessoas do município e do entorno. Em 2026, o governo do estado licitou um Centro Especializado em Reabilitação do Novo PAC — a região das mãos que faltam vai ganhar, décadas depois, um centro de reabilitação. Falta o elo mais básico da corrente: gente de branco no posto, todo dia.
A vaga é de Médico PSF, e a rotina é a de polo do sertão: consulta de manhã na unidade, visita na zona rural onde o sisal ainda é colhido a facão, e à tarde o comércio forte de uma cidade que tem campus da UNEB, feira grande e quatro horas de estrada até Salvador quando bater saudade de mar. Aqui não há retaguarda de UTI na esquina nem colega de plantão na sala ao lado; há um território que aprendeu, no ferro da máquina, o que custa não ter cuidado a tempo.
A porta de entrada é um credenciamento em fluxo contínuo, como pessoa física ou jurídica, com edital que abriu janela de inscrição de 07/05/2026 a 22/05/2026, pagando R$ 13,5 mil/mês. No custo de vida do sertão, é casa boa e sobra no fim do mês — mas o que a região oferece de verdade é ser o médico que examina, uma a uma, as mãos que restaram. Se você trabalha bem onde a máquina ainda ronca, vá ver o sisal de perto.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 13,5 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Território do Sisal, sertão da Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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