Do lado de cá do rio
No Vale do São Patrício, um município olha para outro do outro lado do Rio das Almas — dez hospitais na outra margem, e o médico faltando na de cá.
aqui nasceu dos que não conseguiram terra. Quando o governo federal criou a Colônia Agrícola Nacional de Goiás, em 1940, quem recebeu lote ficou na margem esquerda do Rio das Almas — e virou Ceres. Quem ficou de fora se fixou na barranca da margem direita e fundou um povoado que se chamou exatamente assim: Barranca. Depois tomou outro nome, aglutinação do rio. A cidade carrega no batismo a condição de ter ficado do lado de fora da porteira.
E a assimetria nunca fechou. Ceres, do outro lado da ponte, virou polo de medicina do Vale do São Patrício: mais de dez hospitais, UPA 24 horas, leitos de UTI, faculdade de medicina, referência formal de uma região de saúde com vinte municípios — houve ano em que 27 municípios contrataram serviços médicos de lá. aqui, a duzentos metros de água de tudo isso, tem seus doze mil habitantes, o Hospital Municipal Nossa Senhora das Graças — um projeto que a cidade perseguiu por décadas, atravessando gestões — e a dificuldade crônica de segurar médico: quem chega ao vale monta consultório onde estão os dez hospitais, não onde está a fila do PSF.
Eis a contradição em uma frase: é talvez o posto de saúde mais perto de um polo médico no Brasil — e nem por isso menos vazio. O trabalho do lado de cá é outro ofício. É a atenção básica de cidade pequena cortada pela BR-153, a velha Belém–Brasília: a hipertensão do caminhoneiro que dorme no vale antes de subir para o Norte, a gestante da agricultura familiar, o diabético do comércio atacadista que faz a economia local crescer — o PIB de aqui subiu 92,5% em dez anos, e a cidade figura entre as melhores de Goiás em ambiente de negócios. Dinheiro novo, saúde básica velha de gente conhecida pelo nome.
A rotina tem uma vantagem que as vagas de fundo de mapa não têm: retaguarda a uma ponte de distância. O caso que complica atravessa o rio em minutos, não em dias de barco. O que não existe é anonimato — em aqui o médico do PSF é figura pública, cobrado na padaria, cumprimentado na missa, medido pela cidade inteira. Quem precisa de distância entre a vida e o plantão sofre ali; quem gosta de ser da cidade, e não apenas estar nela, encontra o desenho raro de interior com hospital logo ali.
A porta é um credenciamento de fluxo contínuo, com inscrições de 27/02/2026 a 31/12/2026, direto com o município, admitindo PF ou PJ, para a função de Médico PSF, pagando R$ 12,6 mil/mês. aqui passou oitenta anos olhando a margem que deu certo. Atravesse a ponte no sentido que ninguém atravessa — e veja o que dá para construir na barranca.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 12,6 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Vale do São Patrício, Goiás
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