A cidade com nome de médico
No Sertão nordeste da Bahia, microrregião de Alagoinhas, foi batizado em homenagem a um médico — e passa o ano inteiro procurando um.
No nordeste da Bahia, o lugar é uma cidade batizada em homenagem a um médico — e que passa boa parte do ano procurando um. O homem que dá nome ao lugar nasceu naquela região no século XIX, foi deputado, presidiu as províncias do Amazonas e do Rio Grande do Norte e, no fim da vida pública, voltou a exercer a medicina. Em 1927, o distrito ganhou esse nome. Quase cem anos depois, o edital de credenciamento médico segue aberto de março a dezembro, como quem deixa a porta encostada.
Antes do nome de médico, o lugar tinha nome de água. Tudo começou na primeira metade do século XIX como fazenda Junco — junco, a planta que só cresce onde o chão encharca. O arraial que nasceu dali se chamou Amparo do Junco, porque a terra era fértil e atraía colono. A água foi minguando com as décadas; ficou a caatinga, o gado, o bode, e um povo que aprendeu a viver da terra que sobrou: quase metade de toda a riqueza do município ainda sai da agropecuária.
O que a terra segura, a cidade não segura: nos últimos cinco anos, o lugar perdeu mais de um quinto da população. O solo que amparou o Junco continua produzindo; os filhos dele vão embora para Alagoinhas, para Salvador, a umas três horas e pouco de estrada. Quem fica são cerca de dezesseis mil pessoas — e todas elas, uma hora ou outra, batem na mesma porta.
Essa porta é o hospital municipal, num endereço que parece escrito por um cronista: Alto da Saudade, número 1. É ali, e na atenção básica em volta, que se faz a medicina desta história — plantão de pronto atendimento sem retaguarda de grande porte, sem colega na sala ao lado, decidindo sozinho o que se estabiliza no Alto da Saudade e o que precisa correr de ambulância para a cidade-polo. Em compensação, é o tipo de lugar onde, em um mês, o plantonista já tem nome, e o nome já tem crédito na feira.
O trato é seco como convém: credenciamento de autônomo, pessoa física ou jurídica, fluxo contínuo com inscrições de 24/03/2026 até 31/12/2026 (às 17h), direto com a prefeitura, pagando R$ 2,7 mil/plantão 24h. Não é vaga para quem precisa de corredor cheio de especialistas atrás de si — é para quem aguenta ser o único. A cidade já provou que sabe honrar médico: pôs um no próprio nome. Falta aparecer o próximo.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,7 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sertão nordeste da Bahia, microrregião de Alagoinhas
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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