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Credenciamento · Campos Gerais, Paraná

A cidade que cresceu em volta de uma chaminé chama um médico

Nos Campos Gerais paranaenses, um município tem 93% da terra pertencendo a uma fábrica. O médico que a cidade procura não pertence a ninguém.

Na cidade, no Paraná, cerca de 93% do território municipal pertence a uma única empresa. A Klabin comprou a Fazenda Monte Alegre em 1934, plantou uma fábrica de papel na beira do rio Tibagi, e a cidade nasceu depois — vila operária dos anos 1940, erguida ao redor da chaminé. Até hoje o cheiro doce da celulose avisa, quilômetros antes, que você está chegando à Capital do Papel.

Em 1959, a empresa inaugurou um bonde aéreo para levar os operários ao trabalho: 1.318 metros de cabo cruzando o rio Tibagi a 76 metros de altura. A fábrica atravessou o rio pelo ar antes de a cidade ter um hospital regional. Esse é o contraste que define o lugar: a indústria sempre andou uma geração à frente da saúde pública que ficou embaixo.

O Hospital Regional conta essa história em datas secas. Obra iniciada em 2006. Inauguração às pressas em 2009 — prédio entregue, portas fechadas, sem condição de funcionar. Só em 2020, empurrado por uma pandemia e por R$ 1,5 milhão da própria Klabin em equipamentos e obras, o hospital começou de fato a atender. Uma cidade que exporta papel para o mundo esperou mais de dez anos para acender as luzes da própria retaguarda.

É nesse vão que o médico credenciado trabalha. Curitiba fica a 235 quilômetros; entre o pronto-socorro municipal e a referência definitiva há estrada, e nos Campos Gerais o inverno geia de verdade. A rotina que a prefeitura oferece é dupla: PSF durante o dia — o paciente que trabalha na fábrica, o aposentado da vila operária, o nome que você passa a conhecer na fila do mercado — e plantão de pronto-socorro à noite, onde a decisão é sua antes de a ambulância pegar a rodovia. Quem precisa de um andar inteiro de especialistas atrás de si não fica. Quem sabe segurar a linha de frente descobre uma cidade planejada, arborizada, com salário de indústria circulando no comércio e um rio largo no fim da rua.

A porta de entrada é um credenciamento em fluxo contínuo, permanentemente aberto, para pessoa física ou jurídica: o Chamamento Público nº 03/2025 da Secretaria Municipal de Saúde, com inscrição presencial, em envelope fechado, no Protocolo Geral da Prefeitura (8h–11h30 e 13h–16h). Paga-se R$ 120/hora ou R$ 3,6 mil/plantão 24h. A fábrica resolveu a travessia dela há sessenta e tantos anos, por cima do rio. A travessia dos doentes ainda depende de quem aceitar o plantão. Vá ver a chaminé de perto.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 120/hora ou R$ 3,6 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Campos Gerais, Paraná
📍 Onde fica
📍Telêmaco Borba/PR

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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