Onde o asfalto acaba na porta do Jalapão
No Jalapão tocantinense, o asfalto de Palmas termina e a natureza selvagem começa — e alguém precisa ser o médico dessa fronteira.
O município é onde o asfalto acaba. De Palmas são 115 quilômetros de pista pela TO-030; dali em diante, rumo a São Félix e ao coração do Jalapão, são mais 148 quilômetros de chão batido que a Assembleia do Tocantins ainda discute pavimentar. A cidade se debruça sobre a margem esquerda do Rio do Sono — o nome é esse mesmo — no ponto exato em que o Brasil das estradas entrega o viajante ao Brasil das dunas, dos fervedouros e do capim dourado.
O lugar nasceu fazenda de gado em terra devoluta de Goiás, recebeu comerciantes e garimpeiros de pedras em 1947, cresceu em volta de uma escola particular e virou município em 1958. Hoje tem cerca de quatro mil habitantes, 2.669 km² de Cerrado e uma função que não aparece no mapa turístico: é a sede do Comurja, o consórcio das prefeituras do Jalapão, que se juntaram porque nenhuma delas dá conta sozinha das demandas de uma região desse tamanho.
A saúde é do tamanho da cidade. A unidade de saúde local foi reformada com R$ 600 mil de emenda estadual — foi festa, com deputado presente, porque uma reforma de posto ali é acontecimento. Não há hospital de retaguarda na esquina: a referência de verdade fica na capital, do outro lado dos 115 quilômetros. Os turistas atravessam acelerando na direção dos fervedouros; o doente grave atravessa no sentido contrário, contra o relógio. No meio dos dois sentidos fica você.
A rotina é dupla e sem disfarce: PSF de 40 horas na zona urbana e na rural — e rural, aqui, significa comunidades espalhadas por estrada de terra que vira poeira de maio a outubro, quando não chove uma gota — mais os plantões de fim de semana no pronto atendimento, quando a cidade recebe de volta os 4x4 da chapada. Em troca, o fim de semana livre é o Jalapão inteiro na porta: o fervedouro que empurra o corpo para cima fica a uma manhã de estrada da sua casa.
A porta de entrada tem número: Credenciamento nº 004/2025 (processo 427/2025) do Fundo Municipal de Saúde, fluxo contínuo, pessoa física ou jurídica, documentos aceitos por e-mail ou protocolo presencial. A remuneração é R$ 19,3 mil/mês — o preço honesto de ser o único médico entre o fim do asfalto e o começo do deserto dourado. A estrada até lá é pavimentada; o que vem depois, não. Vá ver onde ela termina.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 19,3 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Jalapão, Tocantins
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