A cidade que fuma na mesma mesa que o mundo
No Recôncavo Baiano, região metropolitana de Feira de Santana, se enrola à mão o charuto que compete com Cuba — e falta médico para cuidar de quem o enrola.
No Recôncavo baiano, o lugar enrola à mão o charuto que disputa mesa com Cuba e Honduras. Foi ali que, em 1977, cubanos da família Menendez se juntaram a um produtor de fumo local e fundaram a Menendez & Amerino — a fábrica que faz o Dona Flor, batizado com nome de romance baiano, folha por folha, sem máquina. Quase quarenta mil pessoas vivem nesse município cortado pelo verde da Mata Fina, que é ao mesmo tempo o nome do mato e o nome do fumo.
E no entanto: a cidade que exporta charuto premium inaugurou sua primeira policlínica municipal há pouco tempo, e o hospital local só agora ganha uma sala de raio-X. O charuto sai daqui embalado para o mundo; a tomografia do charuteiro ainda viaja de ambulância. Feira de Santana fica a meia hora pela BR-324, Salvador a duas — o especialista, o tomógrafo e a UTI moram lá. O que fica aqui é o essencial, a porta que não pode fechar: o PSF e o pronto-socorro.
Por isso falta médico. Não porque o lugar seja bravo — é acessível, tem indústria, tem fumo desde antes da fábrica. Falta porque a Bahia empilha seus médicos no litoral e na cidade grande ao lado, e o interior mais próximo é justamente o mais fácil de ignorar: perto demais para pagar como Amazônia, longe demais do plantão confortável. Quem fica é quem escolhe ficar.
A rotina de quem escolhe tem duas medicinas. De manhã, o PSF: a pressão alta de quem passa o dia sentado enrolando folha, o diabético da zona rural, o nome do médico conhecido na feira de sábado. À noite, o plantão do PS: a madrugada em que Feira de Santana está a meia hora que o infarto não concede, e a primeira resposta é você — sem colega na sala ao lado, decidindo sozinho o que segura e o que transfere.
A porta tem forma de edital: credenciamento, contrato próprio como autônomo, pessoa física ou jurídica, sem fila de concurso, com inscrições de 26/03/2026 a 22/04/2026 direto junto à prefeitura. Paga R$ 13,6 mil/mês ou R$ 2,4 mil/plantão 24h — o posto para quem quer criar raiz, o plantão para quem prefere entrar e sair. Em junho a cidade vira fogueira e forró; o ano inteiro cheira a tabaco curado. Se você aguenta ser a única resposta da madrugada a meia hora do tomógrafo, vá sentir esse cheiro de perto.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 13,6 mil/mês ou R$ 2,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · autônomo, PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Recôncavo Baiano, região metropolitana de Feira de Santana (BA)
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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