A cidade que já foi capital de território
Na fronteira seca onde uma avenida separa o Brasil do Paraguai, a prefeitura fixou R$ 18,5 mil mensais para o generalista de 40 horas na zona rural — e deixou o cadastro aberto por um ano inteiro.
No fim do século XIX, esta ponta de mato bonito — porã é "bonita" em guarani — era o coração do império da erva-mate. A Companhia Matte Larangeira arrendou os ervais nativos da fronteira e fez do povoado um entreposto das carretas que desciam carregadas para o Sul. Em 1912, ainda no velho Mato Grosso, o entreposto virou município.
Trinta e um anos depois, a cidade viveu sua hora mais singular: em setembro de 1943, em plena Segunda Guerra, Getúlio Vargas fatiou a faixa de fronteira em territórios federais e fez dela a capital do Território Federal de Ponta Porã. Durou pouco — a Constituição de 1946 extinguiu o território e devolveu as terras ao estado —, mas ficou o título que nenhuma vizinha tem: a cidade que já foi capital de si mesma.
Hoje são cerca de 90 mil habitantes do lado brasileiro, a mais de 300 quilômetros de Campo Grande, colados em Pedro Juan Caballero, capital do departamento paraguaio de Amambay. A divisa é uma avenida: atravessa-se a rua e troca-se de país, de moeda e de idioma. É nessa cidade dupla que a Secretaria Municipal de Saúde abriu o Credenciamento nº 02/2026 para médicos generalistas na Atenção Primária.
A tabela é fixada por resolução e não se negocia: R$ 7.510 por 20 horas semanais, R$ 12.114 (urbana) a R$ 12.926,37 (rural) por 30 horas, e R$ 15.345 (urbana) a R$ 18.526,16 (rural) pelas 40 horas. O plantão em ambulatório paga R$ 106,92 por hora na zona urbana e R$ 113,40 na rural — um plantão de 24 horas fecha em R$ 2,6 mil a R$ 2,7 mil. Sobreaviso para declaração de óbito (R$ 33,47 por hora) e pequenas cirurgias ambulatoriais (R$ 106,63 por procedimento) pagam à parte.
A porta tem uma exigência: só entra pessoa jurídica, com os profissionais indicados e validados pela Secretaria. O cadastro fica aberto durante toda a vigência de 12 meses, até julho de 2027, com análise prioritária para quem protocolar nos primeiros 15 dias úteis — tudo exclusivamente pela plataforma ComprasBR. Credenciar-se não garante contratação: a convocação segue a classificação técnica, que pontua tempo de exercício, experiência e titulação. Mas cadastro aberto o ano inteiro é raridade — e na fronteira, quem entra na fila primeiro atende primeiro.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 7,5 a 18,5 mil/mês ou R$ 2,6 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · somente PJ · cadastro aberto por 12 meses via ComprasBR
- Região
- Fronteira Brasil–Paraguai, sul de Mato Grosso do Sul
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