A cidade que nasceu de uma feira na caatinga
No Alto Médio Canindé, sertão do Piauí, um município virou cidade em 1997 — o vento gira turbinas no alto da serra, e o pronto-socorro espera plantonista a R$ 4 mil/plantão 24h.
O município é mais novo que a maioria dos médicos que vão ler isto. Em outubro de 1949, um grupo de comerciantes armou uma feira à sombra de umas árvores num lugar chamado Tapagem, no meio da caatinga do sudeste piauiense; um ano depois o padre José Madeira rezou uma missa ali perto, e foi disso — feira e missa — que a cidade se fez. Só virou município em 1994, instalado em 1º de janeiro de 1997. Há gente na fila do posto com o dobro da idade do lugar onde envelheceu.
O paradoxo da cidade está no alto e no chão. No alto, aerogeradores dos complexos Ventos do Piauí giram sobre a divisa com Pernambuco, e os trilhos da Transnordestina cortam o município — energia e ferrovia atravessando um dos pedaços mais secos do Brasil. No chão, a economia que sustenta as famílias tem quatro patas: a associação local de criadores, a Ascobetânia, reúne 136 sócios, um rebanho de 23 mil cabras e ovelhas e despacha 240 animais vivos por semana para Teresina. O vento vale milhões lá em cima; aqui embaixo, a riqueza ainda se conta por cabeça de caprino.
São pouco mais de seis mil e quinhentos habitantes espalhados pelo semiárido, e a saúde deles é do tamanho do município: atenção básica e o pronto-socorro. É lá que esta vaga existe. Plantonista de PS em cidade pequena do sertão significa ser, por 24 horas, toda a retaguarda que existe — a sutura, a hidratação da criança, a estabilização do infarto que vai viajar de ambulância pela BR-407 até um serviço maior. Sem colega na sala ao lado para dividir a decisão. Quem já fez sabe o peso; quem nunca fez precisa saber antes de ir.
Em troca, a rotina tem o que o plantão de capital não oferece: o dia seguinte. A feira que fundou a cidade continua acontecendo, e em poucas semanas o plantonista deixa de ser "o doutor de fora" — vira nome conhecido, cumprimentado entre as bancas de queijo de cabra e rapadura. Numa cidade de seis mil pessoas, o médico não atende população: atende vizinhos.
A porta de entrada é um credenciamento: Chamamento Público nº 004/2025 (Inexigibilidade nº 011/2025), fluxo contínuo durante 12 meses a partir da publicação, aberto a pessoa física ou jurídica com CRM ativo — o requerimento se apresenta presencialmente, no Setor de Licitações da prefeitura. Paga-se R$ 4 mil/plantão 24h. O município levou meio século para virar cidade e ainda espera o médico que fique mais que uma escala. Se você aguenta ser a única retaguarda entre a caatinga e a BR, vá apresentar o requerimento — a feira é aos pés da serra, e ela existe desde antes da cidade.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Alto Médio Canindé, sertão do Piauí
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