A cidade que nasceu de uma promessa quebrada
Na Zona da Mata Mineira, um município nasceu de uma promessa quebrada a um santo — e do arrependimento que virou capela, largo e cidade.
O município nasceu de uma promessa quebrada. Por volta de 1880, Antônio Romualdo Lopes, dono da Fazenda da Barrinha, viu a filha adoecer gravemente e prometeu a São José de Botas uma capela se ela sobrevivesse. A menina morreu. Revoltado, ele se desfez da imagem do santo — e só quando as plantações começaram a falhar e o gado a morrer, lendo prejuízo como castigo, arrependeu-se: comprou terreno na Fazenda Santa Cruz e ergueu, de pau-a-pique, a capela que devia. Ao redor daquela reparação tardia juntaram-se as primeiras casas, um largo, um povoado.
O nome não vem do santo, vem da água: o ribeirão homônimo, que corre entre os morros da Zona da Mata mineira rumo à bacia do Rio Doce. Distrito de Ponte Nova desde 1911, o lugar só se emancipou em 1995 — a primeira eleição foi em 1996. É município mais novo que muito médico que vai ler isto, assentado sobre terra de café que já viu três séculos.
São pouco menos de cinco mil habitantes, e a estrutura de saúde cabe numa frase: uma UBS na Rua Tabajaras, aberta das sete da manhã às nove da noite, e uma farmácia municipal. Hospital, não há. Pronto-socorro, não há. Quem infarta, quem sofre o acidente na lavoura, quem entra em trabalho de parto complicado, desce a serra para Ponte Nova, a cidade-mãe, onde estão os hospitais da microrregião. Até a ambulância chegar lá, o sistema de saúde daqui é você.
Essa é a conta honesta. De um lado, uma clínica de família em estado puro: a mesma população passando pela sua porta ano após ano, o prontuário que é quase árvore genealógica, o diagnóstico que você faz porque conhece a casa, a roça e o pai do paciente. Do outro, nenhum colega na sala ao lado às nove da noite, nenhuma retaguarda que não esteja a uma estrada de distância. O lugar cresceu esperando reparação — quem for, precisa gostar de ser a primeira linha, não o elo de uma corrente.
A porta de entrada é um credenciamento para Médico PSF, pessoa física ou jurídica, com inscrições de 21/04/2026 a 13/05/2026 e prova objetiva em 07/06/2026. A remuneração: R$ 20,3 mil/mês. Antônio Romualdo demorou a cumprir o que prometeu, e a cidade inteira existe porque, no fim, ele cumpriu. A promessa de cuidar daqui agora está em edital, com prazo marcado — cumpra-a antes de fazê-la: vá conhecer o município primeiro.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 20,3 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Zona da Mata Mineira, Minas Gerais
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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