A cidade que nasceu do queijo e espera um médico
No sertão sudeste do Piauí, região de Picos, um município nasceu em volta de uma fábrica de queijo de 1876. A fábrica morreu; a cidade ficou — e o consultório espera.
O município existe por causa de uma fábrica de queijo. Em 1876, um engenheiro alemão, Alfredo Modrach, ergueu no meio da caatinga a primeira fábrica de laticínios do Nordeste — uma das primeiras do Brasil — para receber o leite das antigas Fazendas Nacionais de Canudos, Pilões, Castelo e Olho D'Água dos Bois. O povoado cresceu casa por casa em volta do prédio, como quem se aquece perto de uma fogueira. Chamava-se Campos. Virou município em 1964.
A fogueira apagou. As grandes secas dizimaram os rebanhos e a fábrica fechou em 1947, depois de setenta anos moldando manteiga com maquinário importado da Europa. O que restou está de pé até hoje: um casarão industrial em ruínas no coração da cidade, raro o bastante para o Iphan já ter repassado recursos para projetar seu restauro. O queijo daqui alimentou o Império; hoje é o doente que precisa viajar para ser alimentado de cuidado.
Os números do IBGE desenham o tamanho do trabalho: 4.938 habitantes espalhados por 783 km² — 6,3 pessoas por quilômetro quadrado. Ser o médico do PSF aqui não é atender uma fila; é cobrir um território onde a visita domiciliar termina em estrada de terra e o encaminhamento a especialista começa com horas de asfalto quente. A retaguarda é a sua própria formação: o que você sabe fazer com as mãos, o eletro da unidade e um telefone que nem sempre pega.
Em troca, uma vida que quase nenhum colega seu conhece: consulta de manhã na unidade, o fim de tarde sem trânsito, o povo inteiro sabendo seu nome antes do primeiro mês — e a chance concreta de ser, numa cidade que já foi pioneira industrial do Nordeste, a pessoa mais importante que chegou em décadas. Muita gente não fica. A distância pesa, a seca de sete meses pesa, a solidão técnica pesa. É por isso que a vaga está aberta e é por isso que paga o que paga.
A porta tem forma de edital: credenciamento de Médico PSF, vínculo autônomo — pessoa física ou jurídica — em fluxo contínuo, com credenciamento eletrônico até 13/04/2026 às 09:00h, por R$ 15 mil/mês. O lugar de 1876 provou que dá para construir coisa grande naquele sertão quando alguém decide ficar. Vá ver a ruína de perto — e o consultório que espera do lado dela.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 15 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · autônomo (PF ou PJ) · fluxo contínuo
- Região
- Sertão sudeste do Piauí, região de Picos
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar