Nascida no papel, entre um estado e outro
No Triângulo Mineiro, um município foi desenhado inteiro na prancheta em 1943 — só esqueceram de desenhar quem segura o pronto atendimento.
A cidade, em Minas Gerais, nasceu num escritório em São Paulo. Em 1943, o jornalista e advogado Maurício Goulart reuniu um grupo de intelectuais paulistas e desenhou uma cidade inteira na prancheta — ruas, praça, tudo — para plantá-la na cabeceira da ponte Mendonça Lima, recém-inaugurada sobre o Rio Grande. Do lado de cá, Minas; do lado de lá, São Paulo. A ponte veio primeiro; tudo foi construído em cima da passagem.
Goulart planejou um polo de turismo, e a natureza deu as cachoeiras: dos Patos, do Marimbondo, das Andorinhas. Depois a usina hidrelétrica de Marimbondo represou o Rio Grande e afogou todas elas. Em troca, devolveu um lago com praia de areia no meio do Cerrado — e hoje são cerca de doze condomínios e mil e quinhentos ranchos de veraneio na margem, jet skis, lanchas, tucunaré na linha dos pescadores. O lugar que nasceu na água agora vive dela.
O local foi planejado linha por linha — menos a fila do pronto atendimento. A rede local se apoia numa unidade básica, o PSF da rua Higino Florencio de Souza, e a retaguarda de verdade fica do outro lado do rio, em território paulista. Na temporada, quando os ranchos enchem e o lago vira avenida de lancha, é a urgência municipal que recebe o que a água devolve: o mergulho errado, a hélice, a insolação do feriado. Fora de temporada, sobra a cidade pequena, quente, plana — e o mesmo plantão, agora sem plateia.
O trabalho é medicina de porta: plantonista de urgência e emergência, decidindo sozinho o que se resolve ali e o que atravessa a ponte. Quem já precisou de um cirurgião na sala ao lado vai sentir falta dele. Quem sabe estabilizar, referenciar e dormir com a decisão tomada encontra, entre um plantão e outro, o pôr do sol sobre a divisa, o peixe do jantar e um nome que a cidade inteira aprende rápido.
A porta tem forma de edital de credenciamento da prefeitura: sem concurso, entrada como pessoa física ou jurídica, inscrições em fluxo contínuo de 03/03/2026 a 01/03/2027, para plantões presenciais de urgência/emergência e/ou sobreaviso. Paga R$ 3,3 mil/plantão 24h · R$ 546,33/sobreaviso. É trabalho de quem segura a porta sozinho numa cidade que dois estados dividem e nenhum socorre de perto. Atravesse a ponte e vá ver.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 3,3 mil/plantão 24h · R$ 546,33/sobreaviso
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Triângulo Mineiro, divisa MG–SP
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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