Que o beato abençoou e o mapa apagou três vezes
No Agreste Baiano, Antônio Conselheiro ergueu uma cruz antes de Canudos. O mapa apagou a localidade três vezes. O médico ainda falta.
O município já foi apagado do mapa três vezes. Nasceu em 1898 com o nome de Bom Jesus, foi extinto em 1913, restaurado, suprimido de novo em 1931, refeito, desfeito outra vez — e só em 1962 o Estado da Bahia desistiu de apagá-lo e o deixou existir, com nome novo. Uma cidade que precisou ser fundada quatro vezes aprende uma coisa que capital nenhuma sabe: ninguém vem salvá-la. Quem fica é quem salva.
Antes disso tudo, na década de 1880, passou por aquelas fazendas do agreste baiano um peregrino chamado Antônio Vicente Mendes Maciel. Ergueu uma igreja, fincou uma cruz e seguiu para o destino que o Brasil inteiro conhece: Canudos. O arraial cresceu em volta da capela do Conselheiro e nunca perdeu o costume de rezar primeiro e esperar depois. Hoje são quase vinte mil pessoas sobre a bacia do Itapicuru, num município onde o PIB per capita é de R$ 9,7 mil — menos da metade da média baiana. O beato deixou a fé; a renda, ninguém deixou.
Em 2026, a prefeitura anunciou "um dos maiores investimentos da história" na saúde do município: pouco mais de R$ 2 milhões. O número diz mais que qualquer discurso — quando R$ 2 milhões são o recorde histórico, é porque a rede sempre operou no osso. Não há hospital de alta complexidade ali: a atenção básica e o pronto atendimento municipal são a linha de frente, e a referência gravita para os polos da região. O médico que aceita a vaga aceita isso: decidir sozinho o que, na capital, um corredor inteiro de especialistas decidiria por ele.
A rotina tem dois andamentos. De dia, o PSF — a diabética que falta à consulta porque a farinhada não espera, o menino da zona rural que chega de moto com o avô, o prontuário que é também a biografia de uma família que você passa a conhecer pelo nome na feira. De noite, no plantão, a régua muda: estabilizar, referenciar, sustentar o caso até a ambulância da regional vencer a estrada. É medicina sem plateia. O Conselheiro pregava para multidões; você vai trabalhar para uma sala de espera de cada vez.
A porta tem forma de edital: credenciamento, pessoa física ou jurídica, fluxo contínuo — a janela de inscrição vai de 30/03/2026 a 30/03/2027, direto com a prefeitura, sem concurso e sem fila. Paga R$ 14,7 mil/mês ou R$ 2,7 mil-3,1 mil/plantão 24h. O município foi refundado quatro vezes por gente que se recusou a deixá-lo sumir do mapa. A quinta fundação pode ser a de quem chegar de branco. Vá conhecer o lugar que o beato abençoou — ele ainda espera quem cuide dele.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 14,7 mil/mês ou R$ 2,7 mil-3,1 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Agreste baiano, bacia do Itapicuru — Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar