A cidade que o rio de nome 'grande peixe' ainda sustenta
No Vale do Jauru, sudoeste de Mato Grosso, o rio Jauru move seis usinas — e a cidade de 2,2 mil habitantes ainda procura o médico que segure a saúde sozinho.
O município, sudoeste de Mato Grosso, tem 2,2 mil moradores e um rio que move seis aproveitamentos hidrelétricos — uma das PCHs leva o nome do lugar. O Jauru gira turbina; é quase metade do PIB municipal saindo da água. Mas o mesmo rio que acende cidades inteiras não sustenta um hospital: quem adoece grave ali depende de um telefone de regulação e de horas de asfalto até um centro maior.
Quando represaram o Jauru para a PCH Figueirópolis, em 2008, o resgate arqueológico encontrou 34 sítios no reservatório, no município — urnas funerárias, cerâmica da tradição Uru, machados de pedra. A cidade nasceu em cima de um cemitério indígena milenar, a 700 metros do rio cujo nome, os antigos diziam, vem do tupi: grande peixe. No auge do calor, que ali não pede licença, a população ainda desce para o banho e para a pesca. O passado aflora do chão; o presente pede médico.
A saúde pública cabe numa UBS na avenida principal. O plantão atende por número de celular; a regulação, por outro. Não há andar de cima, não há colega na sala ao lado, não há UTI a vinte minutos. À noite, no pronto atendimento, a decisão é sua e de mais ninguém — estabilizar, ligar, esperar a ambulância rodar. É por isso que a vaga existe e é por isso que paga o que paga: o médico que precisa de retaguarda para dormir tranquilo não fica. O que fica é quem aceita ser, sozinho, a retaguarda de 2,2 mil pessoas.
Em troca, uma medicina que quase não existe mais: PSF de manhã com prontuários que são árvores genealógicas — você trata o avô, a filha e o neto, e sabe qual pasto cada um toca. Plantão à noite. Sábado, o rio. A pecuária de corte e de leite dita o calendário; a fronteira boliviana fica logo adiante; Cuiabá, a umas cinco horas e meia de estrada, vira uma lembrança que você visita quando quer.
A porta de entrada é um credenciamento em fluxo contínuo — o Edital nº 005/2026 fica permanentemente aberto durante sua vigência, com protocolo presencial ou eletrônico, pessoa física ou jurídica, sem concurso e sem fila de espera. A remuneração: R$ 17 mil/mês ou R$ 1,8 mil/plantão 24h. Não é vaga para quem mede a vida pela distância do shopping. É para quem entende que um rio capaz de mover seis usinas também é capaz de segurar um médico — se for o médico certo. Vá ver o Jauru de perto.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 17 mil/mês ou R$ 1,8 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Vale do Jauru, sudoeste de Mato Grosso
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