A cidade que teve hospital antes de ter cidade
No Curimataú Ocidental, Agreste Paraibano, um município nasceu ao lado de uma casa de caridade em 1866 — e hoje procura quem segure o plantão do hospital que restou.
O município, no Curimataú paraibano, teve hospital antes de ter cidade. Em 1866, o Padre Ibiapina — o cearense que semeou casas de caridade pelo sertão — instalou a Casa de Caridade de Santa Fé em terras doadas ali ao lado, quando o que existia era um pouso de tropeiros à sombra das baraúnas. Dez anos depois, o povoado tinha oitenta casas e quinhentas almas. A caridade chegou primeiro; a cidade veio atrás.
O nome é literal: bandos de araras coloriam o céu do lugar onde os tropeiros do Curimataú e do Seridó descansavam com sua carne de sol, farinha e rapadura, a caminho do Brejo. As araras se foram, os tropeiros também. Ficou o município — 99 km² de agreste, uns treze mil habitantes, milho, feijão, mandioca, cabra e carvão vegetal — encravado na Borborema, onde a altitude ameniza o sol que castiga o resto do semiárido.
A economia diz muito sobre a vaga: quase dois terços do que o município produz vem da administração pública. O Estado é a maior indústria daqui — e ainda assim falta médico no balcão dele. O herdeiro da obra do Ibiapina é o Hospital Municipal Natanael Alves, porta aberta 24 horas, uma dúzia de leitos, mais de 23 mil atendimentos num ano. Caso leve resolve ali. Caso grave viaja para Campina Grande — e quem decide o que é leve e o que é grave, sozinho, na madrugada, é o plantonista. Se houver plantonista.
É esse o trabalho: ser o primeiro e único filtro entre o Curimataú e a referência. Estabilizar com o que doze leitos oferecem, escolher a hora certa de despachar a ambulância pela estrada que o governo estadual terminou de asfaltar há pouco, e voltar para a fila de espera. Em compensação, a escala tem fim: acabou o plantão, o agreste de altitude devolve noites de vinte e poucos graus, a feira sabe seu nome em duas semanas, e a padroeira ainda enche as ruas em setembro.
A porta tem forma de edital: Chamamento/Credenciamento nº 00002/2026, para plantonista de pronto-socorro, pessoa física ou jurídica, pagando R$ 2,2 mil/plantão 24h. O fluxo é contínuo — período inicial de 26/05 a 11/06/2026, depois aberto por doze meses, até 11/06/2027 — e a inscrição é à moda antiga: envelope lacrado, entregue em mãos na Sala de Licitações da Rua Gama Rosa, 58, Centro, das 8h às 13h. Ibiapina precisou fundar uma casa de caridade para haver medicina ali; de você, este município só pede um envelope. Vá levar.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,2 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Curimataú Ocidental, Agreste Paraibano (PB)
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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