A cidade que nasceu pouso e espera quem fique
No Centro-Oeste de Minas Gerais, um antigo pouso de tropeiros com 2.838 habitantes tem hospital a 87 km — e um credenciamento de PSF esperando quem fique.
A cidade, no Centro-Oeste de Minas, nasceu para hospedar quem estava de passagem. Um espanhol veio atrás de ouro e diamante, não achou, e montou um pouso que recebia, alimentava e abrigava as boiadas — o nome dele virou ponto de referência na boca dos tropeiros muito antes de virar nome do lugar. Cento e quarenta anos depois do distrito, sessenta e três da emancipação de Itapecerica, o município inteiro tem 2.838 habitantes no Censo de 2022. Uma cidade fundada para acolher viajante segue esperando um que resolva ficar: o médico.
A vida ali tem hora marcada pela ordenha. O dia começa no curral, o latão espera o caminhão na beira da estrada, e nos últimos anos a prefeitura e a EMATER andam nivelando terraço de café para o produtor rural — leite embaixo do morro, café na encosta. É economia que acorda cedo e não reclama. O dinheiro do lugar está no pasto e na lavoura, nunca esteve na praça; quem procura vitrine foi embora faz tempo.
O problema é o mapa. O polo regional com hospital de retaguarda é Divinópolis, a cerca de 87 quilômetros. De madrugada, um infarto aqui não é uma sala de emergência: é mais de uma hora de asfalto, e a diferença entre chegar ou não se decide antes, na mão de quem estabilizou o paciente. Numa cidade de menos de três mil pessoas, o médico do PSF não é uma engrenagem do sistema — ele é o sistema, da puericultura da manhã ao sobreaviso da noite. Não há colega na sala ao lado. É por isso que pagam o que pagam.
Em troca, a medicina é de outra espécie. Você atende a família inteira e depois os filhos dela; sabe qual paciente hipertenso faltou porque a vaca pariu e qual faltou porque desistiu. O acompanhamento longitudinal que os manuais de APS descrevem em tese, ali é a única forma possível de trabalhar. E no sábado a cidade cabe numa caminhada: a igreja do Rosário no alto, o cheiro de queijo curado, todo mundo sabendo seu nome — o que é um conforto e uma responsabilidade, nas mesmas doses.
A porta está aberta em forma de edital: Credenciamento nº 004/2026, por inexigibilidade (art. 74 da Lei 14.133/2021), pessoa física ou jurídica, fluxo contínuo — sem prazo para fechar, com protocolo presencial na Secretaria Municipal de Saúde. A remuneração do Médico PSF é de R$ 14,5 mil/mês, num lugar onde o custo de viver é quase um detalhe. O município passou século e meio dando pouso a quem seguia viagem. Para o médico que aguenta ser o único, a cidade oferece agora o contrário: um lugar de ficar. Vá ver de perto.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 14,5 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Centro-Oeste de Minas Gerais
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