A cidade que quase foi capital
No Sul Goiano, Goiás, um município quase foi a capital: em 1933 mediram o chão dela — e escolheram outra fazenda. A vaga que sobrou é sua.
A cidade quase foi Goiânia. Em janeiro de 1933, a comissão de Pedro Ludovico começou a medir três sítios para a nova capital de Goiás — e um deles era Bonfim, o nome antigo deste município. Topografia, água, clima: os engenheiros percorreram tudo. Em maio de 1933, um decreto estadual trocou tudo por uma fazenda perto de Campinas, onde hoje há um milhão e meio de pessoas. O município ficou onde estava: a menos de 80 quilômetros da capital que quase foi ele mesma. Perto o bastante para ver as luzes; longe o bastante para ninguém fazer o trajeto todo dia.
A cidade é mais velha que a própria ideia de Goiás moderno. Acharam ouro aqui em 1774, e os baianos que subiram atrás dele trouxeram uma imagem do Senhor do Bonfim — a igreja foi erguida no mesmo ano, praticamente em cima do veio, e é tombada como patrimônio desde 1980. Em 1943 o arraial do ouro virou o município. O metal acabou; o chão que quase carregou uma capital ficou criando gado, soja e tijolo de olaria que desce de caminhão para Goiânia e Brasília.
E guarda uma raridade: desde 1949 existe ali um horto florestal criado pelo governo federal, hoje Floresta Nacional — 486 hectares de cerrado fechado e córregos limpos sob gestão do ICMBio, a poucos quilômetros do centro. Sombra densa num bioma de seca de inverno. A contradição da cidade cabe numa linha: preteriram o lugar por não servir para capital, e é exatamente por isso que ele continua inteiro.
Mas o que não serviu para capital também não segura médico. Vinte e poucos mil habitantes não sustentam rede privada nem especialista, e a proximidade de Goiânia drena quem se forma: residência, colega na sala ao lado, plantão de sobra — tudo a uma hora dali. Sobra à saúde municipal o rodízio de plantonista itinerante. A medicina que se pratica aqui é a que resolve no consultório, porque encaminhar significa mandar o paciente para a estrada. De manhã o PSF, à tarde o retorno do hipertenso que conhece você pelo nome, no sábado a feira onde ele repete o seu nome.
A porta tem forma de edital: credenciamento de Médico Clínico Geral, 40 ou 20 horas, como pessoa física ou jurídica, em fluxo contínuo — aberto até 31/12/2026, direto com a prefeitura do município. Paga R$ 13,5 mil/mês. É trabalho de segurar sozinho o que a capital vizinha fatiaria em dez especialidades, a 80 quilômetros de quem venceu a disputa de 1933. A cidade já foi medida uma vez e recusada. Vá medi-la você mesmo.
- A vaga
- Outros (Médico Clínico Geral 40h ou 20h — credenciamento PF/PJ)
- Quanto pagam
- R$ 13,5 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sul Goiano, Goiás
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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