Ver todos os credenciamentos
Credenciamento · Recôncavo Baiano, Bahia

Nome de mulher, não de santa

No Recôncavo Baiano, Bahia, uma cidade tem nome de mulher comum — e a BR-324 devolve a ela, todo dia, o trauma que o Brasil carrega.

A cidade é a única da Bahia batizada com o nome de uma mulher que não é santa. Num mapa tomado de padroeiras e purificações, ela homenageia uma professora de carne e osso — uma educadora, escritora e teatróloga nascida em 1861 nas terras de cana de Santo Amaro, de onde o município se emancipou em 1961 já carregando um nome que homenageia essa mulher notável. Gente onde só havia devoção: a cidade começa anômala e teimosa desde a certidão.

A BR-324 corta o município ao meio. É a rodovia que costura Salvador a Feira de Santana — a segunda maior cidade do estado, a meia hora dali — e o trecho entre Feira e aqui já registrou quatro acidentes graves numa única semana, notícia repetida na imprensa regional como quem anuncia chuva. O país inteiro passa por cima do lugar sem tirar o pé do acelerador. E a pista cobra pedágio duplo: um em dinheiro, na praça do município, e outro em trauma, que desce da rodovia direto para a porta do plantão — a colisão, o capotamento, o motociclista que chega antes de qualquer regulação.

Aqui está a contradição da cidade: o asfalto por onde roda a riqueza do estado é o mesmo que fabrica os pacientes mais graves dela. E a retaguarda é jovem — a primeira Policlínica Municipal foi inaugurada em maio de 2026, apresentada pela prefeitura como marco para aproximar especialidades e exames de uma população de quase 25 mil pessoas que, até então, resolvia quase tudo estrada afora. Uma rede de saúde nascendo agora, com espaço para quem quiser ajudar a moldá-la em vez de herdar vício antigo.

A rotina do médico que fixa ali tem duas velocidades: a manhã lenta do PSF, hipertenso conhecido pelo nome, a roça de hortaliça que abastece as feiras da redondeza entrando pelo consultório com as mãos calejadas — e a noite rápida do pronto atendimento, quando a BR-324 decide entregar o que carrega. A armadilha histórica deste lugar é a proximidade: Feira é perto demais, o médico dorme lá e nunca cria raiz aqui. Quem inverte essa lógica — mora onde atende, vira nome conhecido na rua — encontra uma cidade inteira desacostumada a poder contar com alguém.

A porta tem forma de edital: Credenciamento nº 004/2026, pessoa jurídica pela Lei 14.133, inscrição pela plataforma BLL Compras (bll.org.br), em fluxo contínuo até 12/07/2027 — sem concurso, sem fila, quem se habilita entra. Paga R$ 15,5 mil/mês ou R$ 2,1 mil/plantão 24h, para Saúde da Família ou plantão. A cidade que tem nome de professora está a meia hora de tudo e, ainda assim, sozinha nas madrugadas da 324. Desça no acostamento onde ninguém desce. Vá conhecer.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 15,5 mil/mês ou R$ 2,1 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PJ · fluxo contínuo
Região
Recôncavo Baiano, Bahia
📍 Onde fica
📍Amélia Rodrigues/BA

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →

Já é assinante? Entrar

Ler outras histórias de credenciamento →