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Credenciamento · Leste de Mato Grosso do Sul, à beira do Rio Paraná

A cidade que um rei dos sapatos desenhou no sertão

No Leste de Mato Grosso do Sul, à beira do Rio Paraná, foi desenhada por um magnata tcheco antes de existir. Setenta anos depois, falta desenhar quem segura o plantão.

A cidade não cresceu: foi desenhada. Jan Antonín Baťa, o "rei dos sapatos" de Zlín, calçava boa parte da Europa quando fugiu do nazismo, desembarcou no Brasil em 1941 e riscou no papel uma cidade inteira sobre o divisor de águas entre os córregos Guassu e Sapé, no extremo leste do que hoje é Mato Grosso do Sul. Antes da fundação, em 1953, ele já tinha erguido casas de operário, serraria, cerâmica e laticínio. É talvez o único município do sertão brasileiro que teve planta antes de ter gente.

Setenta anos depois, a planta deu certo — e como. Em junho de 2026, o lugar inaugurou uma Zona de Processamento de Exportação, tornando-se uma das pouquíssimas cidades brasileiras com essa estrutura em operação; ao redor, o chamado Vale da Celulose atrai gigantes como a Arauco, e um terminal portuário no rio Pardo escoa carga a caminho do Paraná. Na outra margem do rio, já é São Paulo. A contradição da cidade cabe numa frase: os contêineres têm rota traçada para o mundo; o plantão do pronto-socorro segue sem dono.

A saúde local tem suas marcas próprias. A Santa Casa, na Avenida Dias Barroso, é listada pelo Ministério da Saúde como hospital de referência em Mato Grosso do Sul para acidentes com animais peçonhentos — nesse mapa de pasto e cerrado, cascavel e escorpião não são folclore, são prontuário. Em 2026, o centro cirúrgico recebeu berços aquecidos, monitores e desfibriladores comprados com recurso repassado pela Vara do Trabalho do município. Há estrutura crescendo; falta quem fique.

Porque ficar é o difícil. A média e alta complexidade mora do lado paulista ou a quatro horas de estrada, em Campo Grande. Por 24 horas, o plantonista do PS municipal é a primeira e a última opinião: é ele quem titula o soro antiofídico do peão que chegou com garrote mal feito, quem estabiliza e decide o que atravessa a ponte. Em troca, a vida fora do plantão tem rio largo, cidade plana de vinte e poucos mil habitantes e a estranha dignidade de um lugar que sabe exatamente por que existe.

A porta de entrada é um credenciamento — pessoa física ou jurídica, com inscrições até 15/04/2026 pelo edital da prefeitura — pagando R$ 3,3 mil/plantão 24h. O fundador desenhou tudo isto sem nunca ter visto o pasto pronto; o que ainda não está no desenho é quem segura a madrugada do pronto-socorro. Vá ver a planta de perto.

O que se sabe
A vaga
Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 3,3 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Leste de Mato Grosso do Sul, à beira do Rio Paraná
📍 Onde fica
📍Bataguassu/MS

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