A colina que enche de romeiros, o posto que esvazia de médicos
No Agreste Potiguar, Rio Grande do Norte, tem a maior estátua católica do mundo — e um pronto-socorro que segura sozinho a urgência de toda a região do Trairi.
No Trairi potiguar, a cidade ergueu sobre o Monte Carmelo a maior estátua católica do mundo: uma Santa Rita de Cássia de 56 metros de concreto, mais alta que o Cristo Redentor, visível de longe sobre a caatinga seca. A parede que sustenta o colosso tem oito centímetros de espessura. É desse tamanho, e dessa fragilidade, o que segura a cidade inteira.
Em maio, na festa da santa das causas impossíveis, a cidade de cerca de 40 mil habitantes recebe multidões: só em 2023, os dez dias de festa e as romarias do ano somaram 215 mil visitantes e R$ 28,3 milhões girando na economia local. A ladeira enche, os hotéis lotam, a feira transborda. Passada a procissão, sobra o que sempre esteve lá: o Hospital Aluízio Bezerra, única referência de urgência e emergência da região, recebendo o que uma dúzia de municípios menores do Trairi não consegue resolver.
Aqui mora a contradição: a colina atrai 215 mil pessoas num ano; o pronto-socorro não consegue reter um plantonista. O lugar abriga até um campus de ciências da saúde da UFRN, a FACISA, formando profissionais no coração do sertão — e ainda assim o médico escasseia, porque Natal fica a pouco mais de cem quilômetros de asfalto: perto o bastante para se ir embora toda sexta, longe o bastante para ninguém da capital querer vir. Quando o caso grave chega do sítio, entre o Trairi e a retaguarda de Natal existem duas horas de estrada e a sua conduta.
A rotina que a vaga desenha é dupla e concreta: PSF de manhã, família por família na estiagem, o nome aprendido na feira do sábado; plantão no PS à noite, quando a região inteira converge para a única porta aberta. É medicina de polo pequeno — resolutiva por obrigação, sem colega na sala ao lado, com a serra e a santa como testemunhas.
A porta de entrada é um credenciamento, pessoa física ou jurídica, com janela de inscrição aberta de 10/03/2026 a 09/03/2027 — fluxo que não fecha, para quem se apresentar. Paga R$ 15 mil/mês ou R$ 3,2 mil-6,4 mil/plantão 24h, dinheiro de capital para custo de vida de feira livre. A festa dura dez dias por ano; o pronto-socorro precisa de alguém às 52 semanas. Suba a colina, olhe a caatinga do pé da santa — e decida se desce para trabalhar.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 15 mil/mês ou R$ 3,2 mil-6,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Agreste Potiguar, Rio Grande do Norte
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