A linha entre dois rios
No Norte Goiano, um município tem o 5º maior lago do Brasil na porta, dois rios que não se misturam — e um PSF pagando R$ 14 mil/mês.
A cidade tem 2,36 habitantes por quilômetro quadrado. São 4.030 pessoas, segundo o Censo de 2022, espalhadas por um município do tamanho de uma capital — no extremo nordeste de Goiás, onde a Chapada dos Veadeiros desce até o Lago Serra da Mesa, o quinto maior lago do Brasil. É o único município da Chapada banhado por esse lago. Goiânia fica a 480 quilômetros. Brasília, a 270. Quando um paciente precisa de mais do que a cidade oferece, essa é a conta que se faz na hora, em quilômetros e horas de asfalto irregular.
O cartão-postal explica o nome desta história: na seca, entre abril e outubro, o rio São Miguel, de águas claras, encontra o Tocantinzinho, de águas barrentas, e os dois correm lado a lado com uma linha visível partindo o leito — até se renderem um ao outro. Surgem praias de areia no meio do Cerrado. Gente da região começa a chamar este lugar de "a nova Chapada dos Veadeiros", e as pousadas vão abrindo. O município, porém, ainda vive de outra coisa: quem mais emprega ali é a administração pública, e o PIB per capita é menos da metade da média goiana. O turista vê o lago; o médico vê o que está atrás dele.
Atrás dele está o Hospital Municipal Malvina Herculano Sizervinsk, uma unidade pequena no centro, e a Região de Saúde Serra da Mesa, que junta nove municípios igualmente distantes de tudo. Não há retaguarda na esquina. O PSF daqui é medicina de território no sentido literal: a família inteira no seu nome, a hipertensão do velho fazendeiro, o pré-natal da menina da zona rural que mora a uma hora de estrada de terra, a decisão solitária de segurar o caso ou colocar o doente na estrada. O lugar guarda uma antítese simples: o lago gigante na porta, o sistema de saúde inteiro cabendo numa rua.
Em troca, a vida que quase nenhum contracheque compra: acordar com o Cerrado na janela, pescar tucunaré num lago que a maioria dos brasileiros não sabe que existe, ser o nome que todo mundo conhece — o que é peso e é pertencimento, nas mesmas vinte e quatro horas. Quem precisa de shopping, colega na sala ao lado e plantão que acaba quando acaba, não atravessa o primeiro mês. Quem procura exatamente o contrário costuma não ir embora.
A porta tem forma de edital: credenciamento para Médico PSF, como autônomo, pessoa física ou jurídica, em fluxo contínuo — mas a janela de inscrição publicada foi curtíssima, de 03/03/2026 a 05/03/2026, e possivelmente já encerrou; credenciamentos assim costumam reabrir, e vale monitorar a prefeitura. A remuneração é R$ 14 mil/mês. É o preço que um município de 4 mil pessoas paga para não ficar sem médico. Se a linha entre os dois rios lhe parece mais convite que fotografia, vá ver na seca — ela está lá todo ano, esperando quem fica.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 14 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · autônomo (PF ou PJ) · fluxo contínuo
- Região
- Norte Goiano / Chapada dos Veadeiros, Goiás
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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