A serra onde o vinho é capixaba e o silêncio tem sotaque italiano
Na Região Serrana do Espírito Santo, um município tem um hospital só para oito cidades — e um posto de saúde que abre e fecha esperando quem fique.
A serra é onde a imigração italiana no Brasil começou. Em 1875, o navio Rivadávia despejou as primeiras famílias que subiriam a serra capixaba para receber lotes nas encostas do Timbuí — e século e meio depois os sobrenomes de Trento e do Vêneto continuam nas placas das vendas, nas cantinas, nos túmulos. A localidade fica a mais de 600 metros, uma hora e meia de curvas acima da Grande Vitória, e é dela que sai cerca de 80% da uva do Espírito Santo: mais de 700 toneladas por ano em ladeiras onde só cabe microtrator, além do primeiro espumante capixaba.
Foi aqui também que Augusto Ruschi, filho desses imigrantes e Patrono da Ecologia no Brasil, montou em 1949 o Museu de Biologia Mello Leitão para estudar os beija-flores que classificou às centenas. Nas varandas do museu, eles ainda comem perto da mão de qualquer visitante. A serra tem essa mansidão enganosa: parreiral em cima, mata atlântica embaixo, neblina de manhã — e uma conta de saúde que não fecha.
Porque o município dos vinhos e dos colibris tem um hospital só. O Madre Regina Protmann, filantrópico, fundado em 1964, conveniado ao SUS, é referência para cerca de oito municípios vizinhos — na casa de 146 mil pessoas, segundo o IBGE, dependendo de uma unidade que também administra a Rede Cuidar do Estado. O turista prova espumante no Vale do Tabocas; o doente da zona rural espera vaga no único pronto atendimento da região. Na atenção básica é pior: a prefeitura já precisou abrir seleção atrás de seleção para repor médico nas ESFs de distritos como Santo Antônio do Canaã e São João de Petrópolis. O médico vem, cumpre uns meses, desce a serra de volta. O posto reabre a vaga.
O trabalho é PSF de raiz: território espalhado por vales de acesso ingrato, famílias inteiras de agricultores que o médico anterior não ficou tempo bastante para conhecer, hipertensão e diabetes como linha de cuidado formal do sistema local. A rotina de quem fica é consulta de manhã, visita domiciliar subindo estrada de chão à tarde — e, no sábado, ser reconhecido na banca de queijo e vinho pelo nome, não pelo jaleco. Quem precisa de anonimato e de retaguarda de hospital grande no andar de cima não aguenta; quem precisa de vínculo, encontra aqui o que a capital não oferece.
A porta de entrada é um credenciamento: você atua como autônomo, pessoa física ou jurídica, sem concurso, para a função de Médico PSF, com inscrições de 06/05/2026 a 12/05/2026 junto à Prefeitura local — e remuneração de R$ 12,6 mil/mês. A serra já viu muito médico descer de volta para Vitória; o que ela espera é um que suba com intenção de criar raiz, como as parreiras nas ladeiras. Suba a estrada de curvas e veja se a neblina das seis da manhã fala com você.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 12,6 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Região Serrana, Espírito Santo
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