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Credenciamento · Sudeste Paraense, Pará

A terra do ouro que ninguém quer atender

No Sudeste Paraense, uma cidade nasceu de uma corrida do ouro, vive de níquel e ganhou um hospital regional para 15 municípios — falta quem atenda.

A cidade não foi fundada — foi despejada. Nos anos 1980, o garimpo do Cumaru cuspiu milhares de homens serra abaixo e o acampamento virou município com o nome que ainda carrega o metal: terra do ouro. O ouro rareou; quem manda hoje é o níquel. A mina Onça Puma, da Vale, mastiga a serra na sombra das terras Xikrin e Kayapó, num município do sudeste paraense com quatorze mil quilômetros quadrados e gente escassa demais para preenchê-los.

O níquel deixou marca nos autos, não só na paisagem. O Ministério Público Federal processa a Vale pela contaminação do rio Cateté, e um estudo da Universidade Federal do Pará encontrou metais acima do limite seguro em 98,5% dos 720 indígenas Xikrin examinados. O minério sai da serra limpo e embalado; o rio ficou com o resto. Quem examina, notifica e acompanha essa população no dia a dia é o médico que estiver na ponta — se houver um.

Por décadas, a pergunta clínica mais difícil da PA-279 foi logística: para onde mandar o paciente grave? A resposta chegou em forma de concreto — o Hospital Regional da PA-279, erguido pelo Estado neste município, quase treze mil metros quadrados, média e alta complexidade, hemodiálise, referência para quinze municípios e cerca de cem mil atendimentos já no primeiro ano. A retaguarda que faltava agora existe na beira da rodovia. O que continua faltando é o elo anterior: o médico do PSF e do pronto-socorro municipal, que decide quem precisa dela.

A rotina é a de cidade de mineração e fronteira: consulta de território de manhã — vaqueiro, operário da mina, criança de vila garimpeira —, plantão à noite recebendo o que a PA-279 e a serra produzem. No sábado, a feira conhece seu nome antes de você decorar o dela. Não há anonimato nem colega na sala ao lado; há calor amazônico o ano inteiro e a certeza incômoda de que, na sua escala, a primeira decisão é sempre sua.

A porta tem forma de chamada pública: credenciamento nº 500004/2026 da Secretaria Municipal de Saúde, pessoa jurídica, inscrições de 11/06 a 03/07/2026, exclusivamente online pelo Portal de Compras Públicas. Paga-se R$ 20 mil/mês ou R$ 2,5 mil/plantão 24h — o preço de manter médico onde o garimpo passou, a mineradora ficou e o rio ainda espera reparação. A cidade que nasceu de quem veio tentar a sorte agora procura quem venha para ficar. Vá ver a serra de perto.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF + Plantonista PS
Quanto pagam
R$ 20 mil/mês ou R$ 2,5 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Sudeste Paraense, Pará
📍 Onde fica
📍Ourilândia do Norte/PA

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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