A terra que os posseiros venceram procura médico
No norte de Goiás, um município de menos de 5 mil habitantes guarda a memória de uma das poucas revoltas camponesas vitoriosas da história do Brasil — e hoje paga R$ 17 mil por mês para o médico que aceitar fincar raiz onde os posseiros fincaram as deles.
No norte de Goiás, um município de menos de 5 mil habitantes guarda a memória de uma das poucas revoltas camponesas vitoriosas da história do Brasil. Tudo começou em 1948, quando famílias de lavradores chegaram a terras devolutas do Estado, atraídas por um rio de nome bonito e solo generoso. Ergueram ranchos, plantaram arroz — e logo descobriram que grileiros, amparados pelo governo estadual da época, queriam expulsá-los da terra que haviam aberto na enxada.
Entre 1950 e 1957, os posseiros da região resistiram de armas na mão. Um deles, José Porfírio de Sousa, viu seu rancho ser incendiado e transformou-se em líder do levante. O desfecho foi raríssimo no Brasil republicano: os camponeses venceram, receberam os títulos da terra, e Porfírio entrou para a história em 1962 como o primeiro camponês eleito deputado no país — antes de o golpe de 1964 desmantelar o movimento. A memória dessa luta é hoje objeto de memorial mantido pela Universidade Federal de Goiás.
Passadas sete décadas, a terra conquistada segue vivendo do que a motivou: agropecuária, com lavouras de arroz, milho, mandioca e hortaliças, além de apicultura, piscicultura e extração de calcário agrícola. Mas o mesmo isolamento que um dia protegeu os posseiros afasta os médicos. A mais de 400 quilômetros de Goiânia, num município pequeno demais para reter especialistas, a cadeira do clínico da Atenção Primária e o plantão do Hospital Municipal vivem à espera de quem aceite a estrada.
Quem aceita encontra o que cidade grande nenhuma oferece: R$ 17 mil por mês por 40 horas semanais na Atenção Primária (ou R$ 16 mil por 32 horas), agenda que cabe na vida, pacientes que se tornam conhecidos pelo nome — e a chance de somar até 10 plantões de 24 horas por mês no hospital, a R$ 2.020,43 cada, empilhando uma remuneração que poucos centros urbanos pagam a um generalista.
O chamado está aberto no Edital de Credenciamento nº 002/2026 (Processo 2512/2026): contratação somente via PJ, com inscrições em fluxo contínuo de 20/07/2026 a 20/07/2027, por envelope na sala de licitação da Prefeitura ou por e-mail. São 4 vagas de 40h, 3 de 32h e 12 de plantonista. Na terra que os posseiros venceram, ainda há chão para quem quiser ficar.
- A vaga
- Médico APS 40h + Plantonista Hospital
- Quanto pagam
- R$ 17 mil/mês ou R$ 2 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
- Região
- Norte de Goiás
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