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Credenciamento · Sertão da Paraíba, na região de Cajazeiras

O Canto do Feijão que Lampião visitou — e a rua do fundador onde hoje se entrega um envelope

No extremo oeste da Paraíba, na região de Cajazeiras, um município nasceu chamado Canto do Feijão, cresceu com um trilho de trem em 1922 e perdeu seu fundador para o bando de Lampião — hoje, a rua que carrega o nome dele é onde se entrega o envelope de um credenciamento médico que paga R$ 2 mil o plantão de 24 horas.

Antes de ser município, foi apelido de colheita: Canto do Feijão, batizado assim pela fartura do grão que três sertanejos — entre eles um certo Raimundo Luiz — plantaram no extremo oeste da Paraíba, quase na divisa com o Ceará. Em 1922, a Rede de Viação Cearense cravou um trilho de trem ali, e o povoado acelerou no ritmo da locomotiva. Cinco anos depois, em 1927, a história virou tragédia de cordel: o bando de Lampião passou pelo lugarejo e matou o fundador. O nome dele hoje é rua no Centro — a mesma rua, por ironia da burocracia, onde se protocola o envelope deste credenciamento.

A emancipação veio em dezembro de 1961, e desde então o município vive do que o semiárido permite: agricultura e pecuária espremidas em 211 km² de sertão, na Região Geográfica Imediata de Cajazeiras, dentro do Vale do Rio do Peixe. São cerca de 5,9 mil habitantes — número que encolheu 4% em três décadas, seguindo o fluxo de quem parte para as cidades maiores. O PIB per capita, de R$ 10,6 mil, fica abaixo até da média da própria microrregião. O trem que fundou o lugar ainda passa, mas hoje só carrega carga entre Fortaleza e Recife; gente, ninguém desce mais.

É esse retrato que explica a cadeira vazia no plantão. A capital fica a 498 km — João Pessoa é mais longe daqui do que Fortaleza. O médico que atende a região geralmente mora em Cajazeiras, polo universitário com campus de Medicina da UFCG a menos de meia hora de estrada, e faz o corre entre os municípios pequenos do entorno. Para a população local, a alternativa ao plantonista da cidade é a estrada. Para o médico, essa geografia é o argumento: dá para morar no polo, com estrutura de cidade universitária, e plantonar a poucos quilômetros, sem concorrência de fila de credenciados.

Quem fica descobre um sertão que não aparece no noticiário da seca: vaquejada, festa da padroeira, São João de calendário cheio, e uma bacia sedimentar — a do Rio do Peixe — que guarda pegadas de dinossauro célebres na vizinhança e faz da região um dos sítios paleontológicos mais importantes do país. É um lugar pequeno o bastante para o médico ser conhecido pelo nome no segundo plantão, e perto o bastante do polo para não se sentir ilhado.

A porta tem forma de edital: Credenciamento nº 00003/2026 do Fundo Municipal de Saúde, plantões de Clínica Médica de 8h (R$ 650), 12h (R$ 975) e 24h (R$ 1.950), contratação somente PJ, inscrições a qualquer tempo durante a vigência — fluxo contínuo, com primeira sessão pública em 19/08/2026, às 08h30. A inscrição é presencial: envelope entregue na rua que leva o nome do fundador morto pelo cangaço, nº 98, Centro. Vá ver de perto.

O que se sabe
A vaga
Plantonista Clínica Médica
Quanto pagam
R$ 2 mil/plantão 24h
Vínculo
Credenciamento · somente PJ · fluxo contínuo
Região
Sertão da Paraíba, na região de Cajazeiras
📍 Onde fica
📍Santa Helena/PB

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