A cidade que nasceu de um apito de trem — e agora chama sete médicos
No sudeste de Goiás, uma cidade tem certidão de nascimento assinada por um trem: nasceu no dia exato em que a estação e uma ponte de 120 metros foram inauguradas, em 1922 — e hoje procura sete médicos de uma vez.
Poucas cidades brasileiras sabem o dia exato em que vieram ao mundo. Esta sabe: 9 de novembro de 1922, quando a Estrada de Ferro Goiás inaugurou ali sua 17ª estação em solo goiano e, no mesmo gesto, uma ponte ferroviária de 120 metros sobre o rio Corumbá. Antes disso, o lugar era um pouso de tropeiros numa fazenda chamada Brejão. O nome veio de fora: homenagem ao ministro da Viação que subiu até o sertão para inspecionar a obra da ponte. A cidade não cresceu ao redor do trilho por acaso — foi desenhada para ele, o primeiro município goiano a nascer com planta traçada por engenheiro, prancheta antes de picareta.
O trem parou de apitar, mas a cidade não parou de trabalhar. Hoje são cerca de 32 mil habitantes a uns 145 quilômetros de Goiânia, num município cujo PIB ronda R$ 1,4 bilhão, dividido entre serviços, indústria e um agro robusto. Desde os anos 1990, virou polo de avicultura industrial do sudeste goiano — o frigorífico instalado em 1993 puxou uma rede de granjas integradas que sustenta boa parte da economia local. A velha estação virou museu ferroviário, com locomotivas a vapor e picotadores de bilhete guardando a memória da região que o mapa turístico de Goiás chama, sem cerimônia, de Região da Estrada de Ferro.
E é aqui que a história repete um padrão conhecido do interior do Brasil: a cidade que soube atrair trilho, ponte e frigorífico ainda luta para atrair jaleco. A atenção básica e a média complexidade precisam de gente — não de um médico, mas de vários, com fila de reserva e tudo. A capital fica perto o bastante para uma ida ao teatro e longe o suficiente para que muito recém-formado nem olhe para cá. Resultado: cadeiras de consultório esperando, numa cidade com estrutura de gente grande e ritmo de cidade média.
Quem vem encontra o que o interior planejado oferece de melhor: ruas largas desenhadas há um século, custo de vida baixo, uma economia que não depende de uma safra só — e a rara sensação de ser esperado. Sete vagas de uma vez não é substituição de rotina; é uma cidade dizendo, em edital, que quer montar um time inteiro de médicos e mantê-lo por perto.
A porta tem forma de edital: Chamamento Público nº 1/2026 da Secretaria Municipal de Saúde, para Médico Clínico Geral 40h na atenção básica e média complexidade — 7 vagas imediatas e mais 12 de cadastro de reserva, a R$ 13.000,00 por mês, com contratação como pessoa física ou jurídica. As inscrições correm em fluxo contínuo de 15/07/2026 a 15/07/2027: basta protocolar o envelope no Centro Municipal de Saúde, em dias úteis, das 7h às 11h e das 13h às 17h. A convocação segue pontuação de títulos — não é sorteio; é currículo. O trem que fundou a cidade já parou; a chance de chegar por ela, não.
- A vaga
- Médico Clínico 40h (atenção básica)
- Quanto pagam
- R$ 13 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudeste de Goiás, na região da Estrada de Ferro
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar