Entre o açúcar e o petróleo, o plantão que ninguém quer ocupar
Na Região Metropolitana de Salvador, Bahia, acharam petróleo em 1958 e ainda não acharam quem fique no plantão — R$ 2,4 mil/plantão 24h a 50 km de Salvador.
O lugar achou petróleo em dezembro de 1958. Antes disso, por dois séculos e meio, o que a freguesia — criada em 1718 como as Cabeceiras do Passé — conhecia era açúcar: oito engenhos moendo cana no Recôncavo, quatro capelas, escravaria e massapê. As duas eras ainda dividem a mesma paisagem. Os cavalos-de-pau da Petrobras balançam onde antes ardiam as fornalhas dos engenhos; a riqueza mudou de dono duas vezes e, das duas vezes, passou por cima da cidade sem parar.
É essa a armadilha do lugar: quarenta mil habitantes a cerca de cinquenta quilômetros de Salvador, coladas ao polo petroquímico de Camaçari e à refinaria de Mataripe. Perto o bastante para que todo médico more na capital e trate o lugar como bico; longe o bastante para que a UTI, a hemodinâmica e o neurocirurgião fiquem sempre do outro lado da estrada. O petróleo sai daqui em duto; o infartado sai de ambulância, torcendo pelo trânsito da BR-324.
A trincheira tem nome: Hospital Municipal Dr. Albino Leitão, 53 leitos, clínica geral, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral — o único pronto atendimento de verdade entre o paciente e a capital. Em outubro de 2025, o governo do estado anunciou mais de R$ 5,2 milhões para a rede local, incluindo R$ 4 milhões para reformar o Albino Leitão e a reabertura do centro cirúrgico. A estrutura está sendo reerguida. O que segue faltando é o que dinheiro de convênio não entrega: gente disposta a segurar a porta da emergência.
O trabalho é o SUS sem verniz. De manhã, o PSF nos bairros e na zona rural dos antigos engenhos — a hipertensão que não afrouxa, o pré-natal que não pode falhar, o nome do paciente aprendido de cor. À noite, o plantão do pronto-socorro, onde entra a moto acidentada na BR, a crise asmática, o peito apertado que você estabiliza sabendo que a retaguarda fica a uma hora de estrada. Quem precisa de colega na sala ao lado não dura. Quem resolve sozinho e transfere bem, vira referência num sábado de feira.
A porta tem forma de edital: credenciamento, pessoa física ou jurídica, sem concurso, com inscrições em fluxo contínuo de 25/03/2026 a 31/12/2026, nos dias úteis, das 08h às 14h, direto na prefeitura. Paga-se R$ 2,4 mil/plantão 24h. Não é o salário do polo — é o preço de ser o médico que a cidade do açúcar e do petróleo nunca conseguiu reter. Se você já orbita a Baía de Todos-os-Santos e cansou de só passar pelas cidades pequenas a caminho de outro lugar, desça aqui e fique o suficiente para ser conhecido pelo nome.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,4 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Região Metropolitana de Salvador, Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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