O canto do estado onde a capital fica do lado errado
No Sudeste do Tocantins, divisas com Goiás e Bahia, um município tem 1.846 moradores e um único centro de saúde — e paga R$ 24 mil/mês a quem topar ser a resposta inteira.
O município tem 1.846 moradores e uma capital do lado errado. Palmas fica a quase quinhentos quilômetros; Brasília chega antes. O lugar está espremido no canto sudeste do Tocantins, contra as divisas de Goiás e da Bahia, e a estrada que o liga ao vizinho Combinado — a TO-110 — já esteve tão esburacada que os moradores das duas cidades fecharam a pista em protesto. Quem mora ali sabe: o asfalto ruim não atrasa só a soja. Atrasa a ambulância.
São 200 quilômetros quadrados de chapada no Vale do Rio Palma, um dos menores municípios do estado, colado a outros três igualmente miúdos — Combinado, Lavandeira, Aurora do Tocantins. O lugar nasceu distrito de Combinado e virou município por plebiscito; a herança é de baianos e mineiros que subiram atrás de terra boa. De maio a setembro o ar vira lixa e o horizonte cheira a queimada; depois a chuva devolve o verde como se pedisse desculpa.
A saúde do lugar cabe numa placa: Centro Municipal de Saúde. Não há hospital, não há retaguarda, não há especialista do outro lado do corredor. Tanto que os prefeitos das quatro cidades do vale foram juntos a Brasília negociar um Consórcio Intermunicipal de Saúde — ou seja, a rede de referência da microrregião ainda é projeto em pasta de reunião. Enquanto ela não existe, a rede é você. O infarto das dez da noite encontra um médico ou encontra a TO-110.
A contrapartida é a medicina que quase não existe mais: PSF de porta aberta numa cidade onde dá para conhecer cada família pelo sobrenome, hipertensão e pré-natal de gente que você cruza na rua no dia seguinte. E o vale não está parado — em julho de 2026 o vice-governador rodou o lugar e vizinhas defendendo investimento em agricultura irrigada; a região aposta que vai crescer. Água em cima da terra, dinheiro novo na roça velha: a chapada quer virar horta antes de virar notícia.
A porta tem forma de edital: Chamamento Público nº 001/2026-FMS, credenciamento contínuo com inscrições de 13/05/2026 a 13/05/2027, pessoa física ou jurídica, pela plataforma LICITANET via PNCP. A remuneração é R$ 24 mil/mês — o item mais graúdo de um município onde tudo é pequeno, o preço que 1.846 pessoas pagam para não depender de uma estrada com buracos. Se a ideia de ser o único jaleco entre quatro cidades e duas divisas lhe soa como trabalho, e não como castigo, a TO-110 também leva para lá. Vá conhecer.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 24 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudeste do Tocantins, divisas com Goiás e Bahia
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