O consultório na beira do fim do mapa
No Sertão dos Inhamuns, há uma cidade fantasma no próprio território — e paga R$ 14,1 mil/mês pelo médico que topar ficar onde tantos foram embora.
O município tem uma cidade morta dentro de si. Cococi, distrito, no extremo sudoeste do Ceará, foi sede de município próprio até a ditadura militar extingui-lo depois de um escândalo de verba trocada por gado; a família Feitosa, que mandava ali desde 1710, abandonou o casario em revolta. Em 2012, o IBGE contava sete moradores. Sobraram duas casas, uma igreja do século XVIII e o silêncio — que só quebra uma vez por ano, na festa de Nossa Senhora da Conceição, quando o sertão inteiro volta para rezar onde já houve prefeitura.
É esse o aviso que o lugar dá a quem chega: aqui, ficar é decisão, não acaso. O nome vem do tupi e significa cachoeira pequena — uma ironia num chão de Caatinga onde a chuva se concentra em poucos meses e o açude é a última água. A cidade fica encostada no Piauí, no sertão dos Inhamuns, a longas horas de asfalto de Fortaleza, e a fazenda que virou cidade fantasma é a lembrança concreta do que acontece quando todo mundo vai embora.
O custo é específico e é médico: a retaguarda de alta complexidade da região é o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim — do outro lado do estado, dividido com outros dezenove municípios e mais de 600 mil habitantes. O paciente grave viaja; quem estabiliza antes da estrada é você, sem colega na sala ao lado. O hipertenso da roça, o parto que não espera, a criança febril que atravessou léguas de carrasco: tudo passa primeiro pela sua mão.
Em troca, uma rotina que capital nenhuma oferece: consultório de clínica geral de manhã, o nome conhecido na feira, a vaquejada e a poeira dourada dos tabuleiros no fim da tarde — e a festa anual em Cococi, quando até a cidade morta ressuscita. Num município onde a prefeitura é o maior patrão, R$ 14,1 mil/mês não evapora em aluguel: sobra, e sobra junto com o peso raro de ser o médico de um lugar inteiro.
A porta tem forma de credenciamento: pessoa física ou jurídica, sem concurso, fluxo contínuo com inscrições abertas de 01/04/2026 a 31/12/2026 direto na prefeitura, remuneração de R$ 14,1 mil/mês para Médico Clínico Geral. Cococi esvaziou porque todos escolheram partir. A vaga existe para quem faz a escolha contrária — vá conhecer antes que a estrada afine de vez.
- A vaga
- Outros (Médico Clínico Geral (mensal))
- Quanto pagam
- R$ 14,1 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sertão dos Inhamuns, Ceará
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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