A cidade que trocou o nome do rio por uma promessa
No sudoeste do Paraná, região de Francisco Beltrão, um município trocou o nome do rio por uma promessa em 1953 — e o plantão de 24h do PS ainda espera quem a cumpra.
O lugar chamava-se Rio Lontra — nome de rio, não de lugar. Por volta de 1953, durante o primeiro casamento celebrado na colônia, o Padre José interrompeu a cerimônia para rebatizar o povoado: "Agora Rio Lontra passa a ser rebatizado com novo nome." O nome pegou. A promessa embutida nele, setenta anos depois, ainda está sendo cobrada — inclusive na porta do pronto-socorro.
A cidade fica no extremo sudoeste do Paraná, mais perto de Santa Catarina e da Argentina do que de Curitiba. Foi erguida nos anos 1950 por descendentes de alemães e italianos que desceram do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina atrás de terra fértil no meio da Mata Atlântica — e só virou município em 19 de março de 1992, pela Lei estadual 9.915. É uma cidade mais nova que boa parte dos médicos que vão ler isto, vivendo de suíno, leite e pequena propriedade familiar, com Francisco Beltrão a meia hora de estrada: perto o bastante para os médicos irem embora, longe o bastante para nunca ficarem.
A saúde local tem endereço e tem lacuna. O Hospital Municipal São Matheus é a retaguarda que existe; o Governo do Paraná incluiu o município na leva de Unidades Mistas de Saúde com atendimento 24 horas, R$ 3,8 milhões de investimento. Eis a contradição da cidade: o prédio novo, o Estado constrói — o médico que fica lá dentro de madrugada, nenhuma obra entrega. No plantão de 24 horas de um PS rural do Sudoeste, é você quem decide sozinho diante da fratura de quem caiu do trator, do parto que aperta antes da ambulância, da pneumonia do velho colono no inverno de geada — sabendo que o especialista mais próximo está a trinta quilômetros e a noite inteira pela frente.
O outro lado é o que o interior do Sudoeste paranaense oferece a quem aguenta esse peso: uma cidade de menos de seis mil pessoas onde o plantonista vira nome conhecido em semanas, consultas em que o prontuário é também a história da família inteira, e a possibilidade rara de ver o efeito do próprio trabalho na mesma fila do mercado, no mesmo domingo de igreja onde tudo começou com um padre trocando um nome.
A porta de entrada é um chamamento público — Chamamento Público 03/2026, credenciamento de fluxo contínuo, pessoa física ou jurídica, com janela de 18/05/2026 a 17/05/2027: envelope entregue no Departamento de Licitações da Prefeitura (Av. Iguaçu, 750, Centro) ou enviado pelo correio. Paga-se R$ 3,2 mil/plantão 24h. A cidade já trocou de nome uma vez por causa de uma promessa; o que falta é quem a cumpra de jaleco, numa madrugada de geada de cada vez. Vá conhecer o lugar que o padre batizou.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 3,2 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudoeste do Paraná, região de Francisco Beltrão
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