O médico do divisor de águas
No Sertão do Moxotó, um município reparte dois rios famosos — Pajeú e Moxotó — e os dois passam a maior parte do ano secos.
A cidade é pernambucana e reparte dois rios que quase nunca correm. A sede do município está plantada no divisor de águas entre as bacias do Pajeú e do Moxotó — dois nomes antigos do sertão, dois largos leitos de areia branca cozinhando ao sol durante a maior parte do ano. É uma contradição que resume o lugar: divide águas que não passam de promessa até março, quando a chuva vem, se vem.
O município é enorme — 1.404 quilômetros quadrados de caatinga para cerca de 39 mil pessoas, espalhadas entre a sede e distritos como Samambaia, que celebram seus padroeiros em festa e vivem de estrada de terra no resto do ano. Cria-se bode, ovelha, gado; planta-se cebola, feijão, tomate. Em março, a Festa de São José toma a cidade — no sertão, São José é o santo que decide se chove. Gente que fincou pé onde a água é a exceção e mesmo assim colhe.
A saúde acompanha essa geografia. O município pertence à VI Geres, cuja referência hospitalar de média complexidade é o Hospital Regional Ruy de Barros Correia — em Arcoverde, outro município, servindo treze cidades ao mesmo tempo. O que exige mais que isso viaja: Recife fica a mais de 300 quilômetros pela BR-232. E em 2025 o Ministério Público de Pernambuco recomendou à prefeitura que fizesse concurso para reduzir a contratação temporária — o registro oficial de que a máquina local funciona, há anos, à base de quem topa vir por contrato. É esse o tamanho do vazio que a vaga existe para preencher.
A rotina de quem topa: PSF de manhã, alcançando agrovila e povoado onde o carro chega e a demanda esperou a semana inteira; plantão no pronto-socorro quando a noite aperta, sabendo que a retaguarda de verdade está a uma viagem de ambulância pela BR. Em compensação, num município de 39 mil habitantes o médico não é um crachá: em pouco tempo o seu nome circula na feira, na festa do distrito, na fila da cebola. Quem precisa de anonimato sofre; quem gosta de ver o próprio trabalho pelo nome dos pacientes encontra aqui uma medicina que as capitais não oferecem mais.
A porta tem forma de edital: credenciamento de autônomo, entrada como pessoa física ou PJ, com janela de inscrição curta — de 05/03/2026 a 20/03/2026 — e pagamento por hora de R$ 86,25–142,85/h. Não é vaga para quem calcula a distância e desiste; é para quem lê "divisor de águas" e entende que alguém precisa ficar exatamente ali, entre dois rios secos, segurando a saúde de mil e quatrocentos quilômetros quadrados. Se for você, vá antes que a janela feche — aqui, até a chuva tem prazo.
- A vaga
- Médico PSF + Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 86,25–142,85/h · ⚠️ PRAZO CURTO
- Vínculo
- Credenciamento · autônomo, PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sertão do Moxotó, Pernambuco
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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