O médico da água pequena
No Centro-Sul Paranaense: 6.566 pessoas, nenhum hospital — e um credenciamento aberto para quem quer ser o médico dessa gente.
Quer dizer "água pequena" na língua kaingang — e o nome não mente. São 6.566 pessoas espalhadas por 702 quilômetros quadrados de planalto no Centro-Sul do Paraná, nove habitantes por quilômetro quadrado, num município que só existe no mapa desde 1995, quando se desmembrou de Cantagalo. O lugar é mais novo que a maioria dos médicos que poderiam trabalhar nele.
A terra emprega quase tudo; a cidade, quase ninguém. Dois terços do que aqui se produz sai do chão — soja, milho, madeira plantada —, mas os três maiores empregadores dizem a verdade do lugar: a prefeitura primeiro, a extração de madeira depois, o cultivo de soja em terceiro. Quem não trabalha para o município ou para a lavoura vai embora. O médico que ficar será, junto com o prefeito e o padre, uma das pessoas mais conhecidas dos setecentos quilômetros quadrados.
De saúde, o município tem o essencial e a promessa do resto. Não há hospital: o Governo do Paraná anunciou R$ 6,2 milhões para construir uma Unidade Mista de Saúde com atendimento 24 horas — e o pacote inclui um detalhe que resume tudo: um ônibus para transporte de pacientes. Porque hoje, adoecer de gravidade aqui significa viajar. Guarapuava, a referência regional, fica a 75 quilômetros, com trechos de estrada ainda sem asfalto e o inverno do planalto geando a pista de madrugada.
É nessa fresta que entra a vaga: Médico PSF, o profissional que faz a atenção primária inteira porque não existe a secundária ao lado. O pré-natal da mulher do sítio, o hipertenso que só desce à cidade no dia da feira, a criança febril cuja alternativa é uma hora e meia de estrada. Sem colega na sala ao lado para pedir uma segunda opinião; a retaguarda é o telefone e a estrada. Quem precisa de corredor movimentado e plantão trocado no grupo do hospital não dura um inverno. Quem gosta de conhecer o paciente pelo nome, pela família e pelo talhão de soja onde ele trabalha, encontra aqui a versão mais concentrada disso que o SUS oferece.
A porta tem forma de edital: credenciamento, pessoa física ou jurídica, fluxo contínuo — aberto desde 27/04/2026, sem prova, sem fila de concurso, entra quem apresentar a documentação junto à prefeitura. A remuneração é R$ 18 mil/mês, num lugar onde o custo de vida é o de uma vila rural do interior paranaense. A água é pequena, o trabalho é grande. Vá conhecer os dois antes de decidir.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 18 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Centro-Sul Paranaense, Paraná
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