O médico do pó e da gema
No Seridó potiguar, homens descem 20 metros de corda atrás de caulim — e sobem com o pulmão que vai bater à sua porta.
No município mais ao sul do Rio Grande do Norte, há homens que se enterram para viver. Chamam-nos de homens-tatu: descem por corda em poços de doze, vinte metros, e cavam a picareta uma rede de túneis sem escora atrás do caulim — o pó branco que embranquece a cidade inteira e escurece, aos poucos, o pulmão de quem o arranca. A fiscalização do trabalho já resgatou garimpeiros dali em condição análoga à escravidão; o Ministério Público do Trabalho apontou minas operando sem garantia mínima de segurança. Isso não é folclore. É a epidemiologia local.
O paradoxo cabe numa frase: o mesmo chão que entrega gema preciosa cobra em pulmão. A cidade extrai caulim há mais de meio século, abriga beneficiadoras que dão nome à economia da cidade, e os pegmatitos das serras em volta guardam as pedras que fizeram a fama gemológica do Seridó. Mas a riqueza sobe peneirada e o custo fica embaixo: silicose, desabamento, o acidente sem ambulância de retaguarda por perto.
Para o médico do PSF, isso muda o ofício. Numa cidade de pouco mais de cinco mil habitantes, a quase trezentos quilômetros de Natal, a atenção básica não é triagem burocrática — é a única linha. É você quem ausculta o garimpeiro que tosse há meses e decide se aquilo é o pó ou é pior; você quem faz o pré-natal da filha dele, quem conhece pelo nome o hipertenso da olaria. Não há colega na sala ao lado para dividir a dúvida. Há a estrada longa e o seu julgamento.
Fora do posto, a cidade que nasceu de uma promessa de 1856 e já se chamou Periquito tem o ritmo miúdo do sertão de planalto: a praça, a feira, a estiagem antiga, o vento levantando gesso das minas. Quem precisa de anonimato e esquina movimentada não dura. Quem quer ser o médico de uma cidade inteira — com tudo de peso e de pertencimento que isso carrega — encontra aqui a versão sem disfarce disso.
A porta tem forma de edital de credenciamento: você atende como autônomo, faturando como pessoa física ou pela sua PJ, com inscrições abertas de 03/03/2026 a 31/03/2026 junto à prefeitura. A remuneração é R$ 15,9 mil/mês · R$ 117–234/hora. É trabalho duro num lugar que mede a vida em metros de poço — mas alguém precisa ser quem espera esses homens na superfície. Desça a serra e vá ver.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 15,9 mil/mês · R$ 117–234/hora
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Seridó, Rio Grande do Norte
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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