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Credenciamento · Microrregião de Bodoquena, Mato Grosso do Sul

A cidade que empresta suas águas

Na Microrregião de Bodoquena, Mato Grosso do Sul, um município guarda as águas mais famosas do Brasil sob o nome de outra — e paga R$ 20 mil/mês a quem ficar com os doentes delas.

O município, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, nasceu ao lado de um cemitério de epidemia. Em 1867, a coluna da Retirada da Laguna atravessou ali o rio Miranda desfeita pela cólera; o coronel Camisão e o guia José Francisco Lopes morreram na marcha e estão sepultados no Cemitério dos Heróis, na entrada do lugar. A primeira marca da medicina nesse chão é uma doença que a medicina do século XIX perdeu. Quem clinica ali hoje trabalha, literalmente, em cima dessa dívida.

O resto do Brasil conhece o município sem saber o nome dele. O Rio da Prata, onde turistas flutuam em água transparente, e o Buraco das Araras, uma dolina de mais de cem metros de profundidade onde araras-vermelhas cruzam o abismo em revoada, ficam neste lugar — mas são vendidos no pacote de Bonito, 55 quilômetros adiante. O turista flutua sobre as águas daqui com o nome de outra cidade na pulseira; quem adoece nelas fica com o município mesmo.

E ficar com o lugar significa isto: cerca de 24 mil habitantes, mais quase 10 mil de Guia Lopes da Laguna, colada do outro lado da ponte sobre o Miranda — na prática uma cidade só, de 34 mil pessoas, a 237 quilômetros de Campo Grande e 76 da fronteira com o Paraguai. Há um hospital, o Marechal Rondon, de 1972, que a prefeitura sustenta com repasse de mais de R$ 7,3 milhões por ano e centro cirúrgico reformado pelo Estado. Mas alta complexidade é Campo Grande, três horas de BR. Entre a queixa na recepção da UBS e essas três horas de asfalto, o filtro é você.

A rotina é a do PSF de cidade pequena e território grande: hipertenso, gestante, o assentamento, o acidente da rodovia que leva ao Paraguai chegando antes de qualquer vaga de regulação. O médico que a fronteira e a distância afugentam é exatamente o que falta — e é por isso que pagam o que pagam. Em troca, o fim de tarde tem revoada de arara gritando sobre o paredão vermelho, o rio de vidro a vinte minutos do posto, e um nome que a feira de sábado aprende rápido.

A porta está aberta desde 9 de setembro de 2025 e fecha em 9 de setembro de 2026: Credenciamento 03/2025 (Inexigibilidade 020/2025), fluxo contínuo, atuando como pessoa física ou jurídica, com inscrição pelo e-mail licitacao@jardim.ms.gov.br ou protocolo presencial na prefeitura. A remuneração é R$ 20 mil/mês para Médico PSF. Camisão atravessou o Miranda doente para chegar aqui; de você se pede menos — atravessar a ponte e ficar. Vá ver as araras de perto.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF
Quanto pagam
R$ 20 mil/mês
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Microrregião de Bodoquena, Mato Grosso do Sul
📍 Onde fica
📍Jardim/MS

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