O vale que bombeia sem parar
No Vale do Açu, até o petróleo precisa de cuidado intensivo: R$ 21,5 mil/mês para cuidar de quem cuida dele.
Ferve água dia e noite para acordar petróleo velho. O óleo do Vale do Açu, descoberto na virada de 1980 para 1981 na Bacia Potiguar, é espesso demais para subir sozinho: a usina Termoaçu, inaugurada por Lula à beira deste lugar, injeta vapor superaquecido no fundo da terra para amolecê-lo, poço a poço, há décadas. É um município do sertão potiguar cuja indústria principal é, literalmente, cuidado intensivo de um paciente de quarenta e cinco anos que não pode morrer.
Esse cuidado paga bem — e paga instável. No primeiro trimestre de 2025, o município recebeu o segundo maior repasse de royalties do Rio Grande do Norte, quase R$ 16 milhões; em 2026, amargou a maior queda do estado, quase 37% a menos. O subsolo sustenta até um quarto da receita do município. O petróleo recebe vapor medido em toneladas por hora; o povo da superfície disputa a agenda de um posto de saúde.
O lugar sabe disso e está tentando virar o jogo com uma imagem que rodou a imprensa potiguar: a prefeita, que é médica, mandou demolir um antigo motel para erguer no terreno o novo hospital municipal — R$ 8 milhões, a maior obra de saúde da história local. Enquanto ele não fica pronto, quem segura o plantão é o Hospital Maternidade Maria Rodrigues de Melo, aberto 24 horas, e a atenção básica que este edital quer reforçar.
O trabalho é o de sempre no PSF do semiárido, com o sotaque do óleo: a hipertensão e a lombalgia do operador de sonda, o diabetes escondido do aposentado da roça, o pré-natal de quem vai parir na maternidade da cidade porque a referência maior fica a horas de estrada. Sem retaguarda de especialista na sala ao lado, com o calor seco do baixo Açu e a consciência de que, quando o royaltie cai 37% num ano, é a sua caneta que vira a política de saúde possível. De manhã o consultório, à tarde a visita domiciliar entre os cavalos de pau que sobem e descem sem domingo — e no fim da semana o rio Açu e a carcinicultura do vale no prato.
A porta de entrada é um credenciamento, PF ou PJ, com inscrições abertas em fluxo contínuo de 08/04/2026 a 08/09/2026 junto à prefeitura, pagando R$ 21,5 mil/mês para a função de médico de PSF. É trabalho de gente que aguenta ser a única resposta da superfície num lugar onde a engenharia mima o subsolo. O município aprendeu que óleo parado se reanima com vapor; falta quem faça o mesmo pela fila do posto. Vá ver o vale bombear de perto.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 21,5 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Vale do Açu, Rio Grande do Norte
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
Assinar a Plataforma Completa (R$ 89/mês) e ver o edital →Já é assinante? Entrar