A cidade que nasceu de uma parada
No Piemonte da Chapada Diamantina, um município nasceu como pouso de tropeiros — e segue sendo pouso dos médicos que passam. R$ 10 mil/mês para quem ficar.
O município, no miolo da Bahia, nasceu de uma parada: conta a tradição registrada pelo IBGE que uma viajante, Dona Ana Souza Santos, desceu da tropa para descansar numa baixa larga do caminho, e ali ergueram capela, pouso, feira. A cidade existe porque gente de passagem precisava de um lugar para dormir antes de seguir. Cento e tantos anos depois, ela continua sendo isso para os médicos que chegam: um pouso. Cumprem o ciclo do programa, juntam o que vieram juntar e seguem estrada. A vaga reabre com a paciência de quem sempre reabriu.
E estrada é o que não falta. A BA-052, a Estrada do Feijão, corta o município no trecho de 52 quilômetros entre Ipirá e o seu destino — depois da concessão, foi apontada como a melhor rodovia do Nordeste. Eis a contradição do lugar: o melhor asfalto da região passa na porta, e é justamente por ele que tudo vai embora — o milho, o feijão, a mandioca das roças, e o médico que não ficou. Feira de Santana a duas horas, Salvador a quatro. Perto o bastante para sonhar; longe o bastante para ninguém vir.
Na saúde, o símbolo é honesto até doer: entre os equipamentos que o governo do estado entregou recentemente ao município estão uma ambulância e um veículo de TFD — Tratamento Fora do Domicílio. Um carro cujo ofício é levar o doente para ser tratado em outro lugar. Não há hospital de referência no local; o que se resolve, se resolve na atenção básica, e o que a atenção básica não segura pega a Estrada do Feijão. Você, no PSF, é a diferença entre resolver aqui e embarcar ali. O pré-natal, o hipertenso que fura o retorno, a criança da zona rural que aparece quando a roça deixa — tudo passa primeiro pela sua sala, e muita coisa não deveria passar dela.
A rotina tem o relógio do sertão: consulta de manhã, visita na comunidade à tarde, e no sábado a feira, onde em duas semanas o senhor do gado já sabe seu nome e a dona da banca separa o que você gosta. É caatinga com açude, vaquejada e padroeira, custo de vida que faz dinheiro render. O que o lugar não oferece de anonimato, devolve em pertencimento — e isso ou lhe serve, ou lhe sufoca. Convém saber qual dos dois antes de encostar.
A porta está aberta do jeito mais raro: credenciamento em fluxo contínuo, sem prova e sem fila, inscrição direto no edital da prefeitura, aberto até 19/05/2027, para pessoa física ou jurídica, pagando R$ 10 mil/mês pelo PSF. O município foi fundado por quem parou para descansar e resolveu ficar. A estrada é boa nos dois sentidos — vá pela Estrada do Feijão e veja se ela não te convence a não voltar.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 10 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Piemonte da Chapada Diamantina, Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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