O município mais rico que ninguém vê
No Sul do Tocantins, um município gera R$ 249 mil por habitante — e a sala de reanimação do posto não tinha pia com água corrente.
A cidade tem um PIB per capita de R$ 249 mil — quase seis vezes a média do próprio Tocantins — e cerca de 4,5 mil habitantes que quase não veem esse dinheiro. A riqueza está no chão: soja e boi num mar de cerrado, cortado pela BR-153, pela BR-242 e pela Ferrovia Norte-Sul, que atravessa a zona rural do município levando grão para o porto sem parar na praça. O trem carrega a fortuna em vagão lacrado; o morador atravessa a rua de terra para pegar ficha no posto.
A cidade é jovem: distrito de Gurupi desde 1963, emancipada por plebiscito em 1990, fundada em 1991. Gurupi continua ali ao lado, a poucos quilômetros de asfalto, funcionando como a metrópole que engole tudo — o hospital, o especialista, o médico que aceita a vaga e prefere dormir lá. O município ficou com a parte da medicina que não cabe em máquina: a atenção básica, o PSF, a fila que conhece você pelo nome antes de você aprender o dela.
E ficou também com o retrato do abandono. Em março, o Ministério Público do Tocantins acionou a prefeitura, o prefeito e a secretária de saúde depois que vistorias apontaram falhas estruturais e falta de equipamentos em duas unidades de saúde — no Centro de Saúde, a sala de reanimação não tinha pia com água corrente nem macas suficientes; faltavam balança, oftalmoscópio, fita métrica. Segundo o promotor, os problemas persistem há anos. Esse é o tamanho exato do trabalho que espera quem chegar.
A rotina de quem topa é a mais antiga da profissão: consulta de manhã na USF Dr. Jorge Bastos Abbud, visita na zona rural à tarde, o exame físico valendo mais que qualquer imagem, porque a imagem fica em Gurupi. Sem colega na sala ao lado, sem retaguarda no corredor — mas também sem trânsito, sem anonimato, com a capital a três horas e meia de reta e a chapada pegando fogo de dourado na seca. Quem precisa de plateia não fica. Quem precisa de propósito talvez não saia mais.
A porta tem forma de credenciamento: fluxo contínuo, inscrições de 11/03/2026 a 10/03/2028, contratação como autônomo, pessoa física ou jurídica — sem concurso, sem espera. A remuneração é R$ 16 mil/mês · R$ 8 mil/mês, conforme a jornada. A pia da reanimação virou processo; o médico ainda é vaga aberta. Num lugar onde até a riqueza passa reto, ir até lá já é metade do diagnóstico. Vá conhecer.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 16 mil/mês · R$ 8 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sul do Tocantins, microrregião de Gurupi
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