A cidade que a capital engoliu pela metade
Na Zona da Mata Paraibana, há o hospital que transplanta coração — e um pronto-socorro sem plantonista a poucos quilômetros dele.
A cidade, na Paraíba, abriga o hospital que fez o primeiro transplante cardíaco 100% SUS do estado. O Metropolitano Dom José Maria Pires, alta complexidade em cardiologia e neurologia, 226 leitos, trombectomia para AVC — está no território do município. E, no entanto, é o pronto-socorro municipal que não consegue segurar um plantonista. O coração transplantado a poucos quilômetros; a porta de entrada, descoberta.
A explicação é a geografia mais cruel do interior brasileiro: o interior colado na capital. João Pessoa fica a doze quilômetros — dá para ir de trem urbano. Terceira cidade mais populosa da Paraíba, quase 150 mil habitantes no último censo, este município é grande demais para ser esquecido e perto demais para ser escolhido. O médico atravessa a BR todo dia no sentido errado: mora, clinica e se especializa do lado de lá. Do lado de cá ficam a várzea do Paraíba, o canavial, os abacaxizais que fazem deste território um dos maiores produtores de um estado que disputa a liderança nacional da fruta — e uma população que depende só do SUS.
E o município não termina onde parece. Rio abaixo, alcança o estuário: Forte Velho, vila de pescadores onde um forte de 1585 vigiava piratas franceses, e as ilhas Stuart e Tiriri, que pertencem ao território e só se alcançam por água. Do outro extremo, a UPA de Tibiri II atende cerca de 180 pacientes por dia — e recebe gente de Capim, Lucena, Sapé, Bayeux. É esse território espraiado que desagua no plantão: o acidente da rodovia federal, a criança da várzea, o pescador que voltou machucado do mangue. Você decide sozinho, com o que a rede municipal tem, sabendo que a retaguarda de ponta está ali — no mapa, não na sua sala.
A rotina tem compensação rara para quem vem de fora: o plantão acaba e a capital está à vista, com praia, residência, congresso, vida. Poucos credenciamentos no Brasil oferecem medicina de linha de frente sem exigir o exílio. O custo é outro: trabalhar na periferia metropolitana que todo colega atravessa sem olhar, na cidade grande que ninguém trata como cidade grande.
A porta tem forma de edital: credenciamento de plantonista para o pronto-socorro, pessoa física ou jurídica, com janela de inscrição de 06/04/2026 a 28/04/2026, pagando R$ 2,8 mil/plantão 24h. Doze quilômetros separam este município de quem sobra; um edital separa aqui de quem fica. Atravesse a BR no sentido contrário e vá ver.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2,8 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Zona da Mata, Paraíba
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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