O município que ainda usa o nome da fazenda
No Leste do Tocantins, o centro de saúde leva o nome do fazendeiro que fundou tudo — e a escala de plantão leva o seu.
A cidade ainda se chama como a fazenda onde tudo começou. Não é força de expressão: o município inteiro nasceu de uma propriedade rural no leste do Tocantins, e o sobrenome dos primeiros povoadores — Botelho — está gravado na primeira escola, aberta em 1960 com a professora Isabel Botelho de Souza, na primeira prefeita eleita, Maria Botelho Marquez, empossada em 1º de janeiro de 1993, e no Centro de Saúde Benedito Botelho, batizado com o nome de um dos casais fundadores. Aqui, a unidade de saúde carrega literalmente o nome do dono da terra.
O Censo de 2022 contou 2.680 habitantes espalhados a 1,9 por quilômetro quadrado — uma cidade que caberia inteira numa quadra de escola, diluída num mar de chapada plana. Do lado, Pedro Afonso, a cidade-mãe da qual este município se desmembrou em 1991, virou um dos maiores polos de soja do estado, com silos e armazéns de grãos enfileirados. A soja enche os armazéns do vizinho; a sala de espera do Benedito Botelho continua contando os mesmos sobrenomes de 1960.
É esse o tamanho do trabalho. O caso grave não resolve ali: estabiliza-se no pronto atendimento e a ambulância corre para Pedro Afonso ou para Palmas, horas de estrada adiante. No plantão de 24 horas você é a porta de entrada e, por um dia inteiro, a única retaguarda de si mesmo — a medicina que não pergunta especialidade, que decide com o que tem e transfere o que não dá. Médico não fica: não há vida urbana para segurar ninguém, e é exatamente por isso que a escala vive aberta.
O outro lado é o que ninguém põe no edital: numa cidade de 2.680 pessoas, em três meses você conhece o prontuário e o apelido de metade delas. O hipertenso que você compensou na terça é o mesmo que te acena da porta do mercado no sábado. É uma medicina de sobrenomes repetidos — Botelho, Souza, Queiróz — em que o retorno da consulta acontece na rua, queira você ou não.
A porta de entrada tem forma de credenciamento: fluxo contínuo, inscrições abertas de 18/03/2026 a 17/03/2028, entrada como pessoa física ou PJ, para plantonista de pronto-socorro, pagando R$ 2 mil/plantão 24h. Não há mistério nem processo seletivo dramático — há uma escala esperando quem aguente a chapada e o silêncio. A fazenda virou cidade e nunca deixou de precisar de gente que ficasse. Vá ver se você é um deles.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2 mil/plantão 24h · R$ 2 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Leste do Tocantins, microrregião de Porto Nacional
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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