O município que brotou de um bar na Transamazônica
No Sudoeste Paraense, na Transamazônica, um município começou como um bar na beira da estrada. Hoje são 43 mil pessoas, um hospital de 33 leitos — e a vaga é sua.
A localidade começou como um bar. Nos anos 1970, quando o Programa de Integração Nacional rasgou a Transamazônica dentro da floresta paraense, um colono montou no próprio lote, à margem da estrada e perto do rio local, um bar e restaurante para caminhoneiro descansar entre um trecho e outro de terra. Em volta do balcão nasceu um povoado; do povoado, uma cidade — que só virou município em 1988, pela Lei 5.447, quando já não dava mais para fingir que aquilo era parada de estrada.
Hoje são cerca de 43 mil habitantes num município que vive de duas coisas que a Transamazônica plantou: cacau e boi. Em 2024, o cacau em amêndoa respondeu por quase 70% do valor da produção agrícola local, e o lugar figura entre os maiores produtores do Pará — o mesmo cinturão de Medicilândia e Uruará. O gado é quase 90% da pecuária. Mas o maior empregador da localidade não é fazenda nem terreiro de cacau: é a prefeitura. A terra enriquece de amêndoa; o contracheque, quase sempre, vem do poder público.
A saúde tem nome de mulher: Hospital Municipal Maria Maura Rodrigues de Jesus, batizado em homenagem a uma técnica de enfermagem que dedicou a vida à saúde pública do município. Foi inaugurado depois de anos de tentativas frustradas de reforma, com 33 leitos, duas incubadoras e dois ventiladores pulmonares. É isso. Caso que passa disso pega a BR-230 rumo a Altamira — a mesma estrada que fundou a região e que ainda guarda trechos sem asfalto no caminho, poeira na seca, lama no inverno amazônico. Quem trabalha aqui aprende a resolver antes de encaminhar, porque encaminhar tem preço em horas.
A rotina do médico de PSF é a rotina dos travessões: consulta de manhã na unidade, população de colono que veio de todo canto do país atrás de lote, criança com verminose, lavrador com pressão alta que só desce do travessão em dia de feira. Em compensação, o paciente tem nome, e o nome volta — na fila do banco, na porta da igreja, no cheiro de cacau secando ao sol. É medicina sem sala ao lado para pedir opinião. Muita gente experimenta e vai embora; é por isso que a vaga existe e paga o que paga.
A porta de entrada é um credenciamento de fluxo contínuo — pessoa física ou jurídica, sem exclusividade, com inscrições abertas de 06/05/2026 a 06/05/2027 junto à prefeitura, mediante o edital. A função é Médico PSF e a remuneração é R$ 148,50/hora. O município nasceu de alguém que parou na beira da estrada e resolveu ficar; meio século depois, a localidade ainda cresce testando quem para nela. Desça da estrada. Vá ver o que o bar virou.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 148,50/hora
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudoeste Paraense, Transamazônica/Xingu, Pará
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