Paraíso que engoliu o próprio mapa
No Sudoeste da Bahia, um município tem 180 cachoeiras, 1.600 nascentes e um hospital que o Estado precisou reabrir. Falta quem atenda no meio de tanta água.
este lugar, em tupi, significa fonte de beber água — e o nome fica pequeno para o que a cidade é. São mais de 1.600 nascentes catalogadas na bacia do município e cerca de 180 cachoeiras despencando das serras do sudoeste baiano, com a Serra do Jaguar passando dos 1.200 metros. É provavelmente a maior concentração de água doce por habitante que você vai encontrar num município de 21 mil pessoas no Brasil. E quase ninguém sabe onde fica.
O detalhe que interessa a um médico está em outro registro público: em 2017, o Hospital Somai, no centro de este lugar, precisou ser reaberto pela Secretaria da Saúde do Estado, com custeio mensal de R$ 122 mil, porque tinha fechado as portas. Uma cidade onde brota água por todos os lados viu secar a coisa mais básica — leito, plantão, alguém de jaleco do outro lado do balcão. A retaguarda de verdade fica em Vitória da Conquista, a 120 quilômetros de estrada; Salvador está a 497. Quando o caso aperta na zona rural, entre vales e porteiras, a conta dessa distância é feita dentro de uma ambulância.
A economia explica por que ninguém resolveu isso com dinheiro privado: 43,9% do valor adicionado do município vem da administração pública. A prefeitura é o motor, a agropecuária é magra, indústria quase não existe. Não vai surgir um hospital de rede em este lugar. O que existe — e o que vai existir — é a atenção primária: o médico do PSF que conhece a comunidade pelo nome, sobe a serra em dia de visita e segura o território para que menos gente precise vencer os 120 quilômetros.
A rotina tem um desenho próprio: unidade de saúde de manhã, população espalhada por uma zona rural imensa dentro de uma APA de 56 mil hectares, e o resto do dia num clima de altitude raro para a Bahia — noites frescas, neblina, cachoeira de graça a poucos quilômetros do consultório. Os ecoturistas que atravessam o país para acampar ali ficam um fim de semana. Você ficaria o ano.
O custo é o óbvio que não se deve maquiar: você será a primeira e, muitas vezes, a única resposta. Sem colega na sala ao lado, com a referência a hora e meia de asfalto, num município que já viu seu hospital fechar. É por isso que a porta ficou aberta em fluxo contínuo: credenciamento de Médico PSF, pessoa física ou jurídica, com inscrições de 27/01/2026 a 31/12/2026 direto junto à prefeitura, pagando R$ 9,8 mil/mês. Numa terra com mil e seiscentas fontes, falta exatamente uma: a sua. Vá ver a água de perto.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 9,8 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Sudoeste da Bahia
Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.
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