A capital do abacaxi que Uberlândia esvazia
No Triângulo Mineiro, Minas Gerais, já foi a capital nacional do abacaxi. Hoje não segura nem a fruta, nem os médicos — Uberlândia leva os dois.
O município já foi a capital nacional do abacaxi. Nos anos 1980, a chapada vermelha do Triângulo Mineiro colhia cerca de 149 milhões de frutos por ano — coroas espinhosas enfileiradas até o horizonte, plantadas por um nordestino de Caicó que chegou nos anos 40 e mudou a paisagem. Depois vieram a cana, a soja e o milho, pagando mais pelo mesmo hectare, e a fruta que dava nome à cidade foi recuando talhão por talhão. Aqui aprendeu cedo uma lição amarga: neste lugar, o que dá certo demais no vizinho acaba levando embora o que é seu.
Com os médicos acontece o mesmo que com o abacaxi. O problema da cidade não é isolamento — é o contrário. Uberlândia fica a 68 quilômetros, uns 46 minutos de asfalto bom: universidade federal, hospital-escola, shopping, residência médica, plantão bem pago. É para lá que o profissional vai morar, e de lá que atende a região como quem visita. Aqui, com seus vinte e poucos mil habitantes espalhados num território agrícola imenso, vira dormitório invertido: a riqueza da cana e da granja fica, o médico vai.
A retaguarda local é uma Santa Casa com mais de meio século de história na Rua Olavo Bilac — hospital de cidade pequena, do tipo que estabiliza e transfere. O resto é a atenção primária: as equipes de ESF que precisam funcionar bem justamente porque tudo que elas não resolvem vira ambulância na BR-365 rumo a Uberlândia. O custo dessa vaga não é solidão amazônica; é outra coisa, mais traiçoeira — trabalhar a 46 minutos de um polo que paga para você desistir dela todos os dias. Quem fica, fica por escolha renovada.
E há o que escolher. A rotina que a cidade oferece é a que quase desapareceu da profissão: a ESF onde a gestante tem nome e a hipertensa tem história, o povoado rural na agenda da semana, e em maio as avenidas tomadas pelos ternos da Festa de Congado, que em 2025 chegou à sua 142ª edição — uma fé mais velha que qualquer prontuário. O médico que mora ali não é CRM de passagem: é figura da cidade, do balcão da padaria à porta da Santa Casa.
A porta de entrada é um credenciamento de fluxo contínuo, aberto de 30/03/2026 a 31/12/2026, com contratação como pessoa física ou jurídica direto com a prefeitura, para atuar como médico de PSF por R$ 16,9 mil/mês. O município que não conseguiu segurar o abacaxi está tentando segurar um médico. Se você é do tipo que prefere ser insubstituível a ser mais um, vá conhecer a chapada antes que a cana tome também essa vaga.
- A vaga
- Médico PSF
- Quanto pagam
- R$ 16,9 mil/mês
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Triângulo Mineiro, Minas Gerais
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