O plantão em cima do tesouro
No Seridó paraibano, um município está fincado na província de rocha que gerou a gema mais cara do Brasil — e precisa de plantonista.
A cidade fica em cima de pedra que vale mais do que tudo o que o município já produziu. Aqui está fincado na Província Pegmatítica da Borborema, a faixa de fronteira entre Paraíba e Rio Grande do Norte com mais de 750 veios de rocha ígnea catalogados — a mesma província onde foi descoberta a turmalina Paraíba, a gema azul-neon que figura entre as mais caras do mundo por quilate. O nome da pedra correu leilões de Genebra e Hong Kong. O nome deste lugar, quase ninguém conhece.
Aqui se cava pegmatito desde meados do século XX: tantalita, caulim, feldspato, berilo, à mão, no sol da caatinga. A contradição do lugar cabe numa frase: a pedra sai com nome de luxo; quem a arranca fica com a poeira. E a terra é mais velha ainda do que o garimpo — nas serras do município há itacoatiaras, gravações rupestres de gente que riscou aquela rocha milhares de anos antes de alguém lhe dar preço.
A medicina, nesse chão, é de porta única. Não há hospital de referência na esquina; há a rede básica do município e o plantão que segura o que chegar — a mão esmagada no serviço da pedra, a desidratação do sequeiro, o peito apertado de madrugada com a estrada inteira pela frente até o serviço de maior porte. Quem assume o pronto atendimento aqui decide sozinho, com o que houver na sala, e transfere sabendo quanto custa cada hora de caatinga entre a maca e o destino.
Em troca, a cidade oferece o que o interior do Seridó sabe oferecer: escala curta de gente, nome aprendido rápido, o silêncio de pedra depois do plantão e serra com desenho pré-histórico a uma caminhada de distância. Para o médico que precisa de shopping, isso é pouco. Para o que precisa de propósito e de conta fechando, é um mês inteiro de plantões sem brigar por vaga em escala de capital.
A porta de entrada é o Credenciamento nº 0007/2026, de fluxo contínuo desde 18/05/2026 até 14/05/2027, aberto a pessoa física ou jurídica: a documentação vai em envelope protocolado na sede, na Rua Almisa Rosa, 02, Centro — o mesmo endereço da secretaria de saúde —, ou por e-mail. Paga-se R$ 2 mil/plantão 24h. Não é vida fácil: é sol, poeira e decisão solitária. Mas a cidade fincada na província que gerou a gema mais cobiçada do país está a um envelope de distância. Vá ver a pedra de perto.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 2 mil/plantão 24h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Seridó paraibano, Paraíba
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