O plantão no sopé da serra que o Brasil esqueceu
No Norte do Piauí, ao sopé da Serra da Ibiapaba, o trem parou nos anos 90 e nunca voltou — o pronto-socorro precisa de quem chegue e fique.
Tem uma estação de trem que completou cem anos em 2023 — e nenhum trem. A ferrovia que fez deste lugar um entreposto de couro, cera de carnaúba e algodão parou de levar gente no fim dos anos 1970 e parou de vez nos anos 1990. O casarão de 1923 ficou ali, no norte do Piauí, como lembrete do que a cidade já foi: um lugar por onde o Brasil passava. Hoje é um lugar aonde o Brasil precisa decidir ir.
É neste território que fica boa parte do Parque Nacional de Sete Cidades, o primeiro do Piauí, criado em 1961: formações rochosas que parecem ruínas de cidades e pinturas rupestres de povos que atravessaram aquela caatinga muito antes de existir prontuário. O paredão azul da Serra da Ibiapaba fecha o horizonte a leste. Turista vem, fotografa as pedras e vai embora no mesmo dia. Médico, a cidade precisa que fique.
Porque a saúde ali é do tamanho do mapa: são cerca de 29 mil habitantes espalhados por mais de 2.300 km² — um município maior que muita região metropolitana, atendido por uma rede de 13 postos de saúde e pelo Hospital Dr. José de Brito Magalhães. Paciente de câncer viaja de transporte da prefeitura até Teresina, a quase duzentos quilômetros de BR. No plantão do pronto-socorro, a retaguarda é essa: três horas de asfalto quente. O que chega, resolve-se com o que há na sala — e com quem está de branco nela.
A rotina, para quem aguenta, tem sua recompensa seca: o mel que faz do município referência na região norte do estado, a carnaúba que ainda sustenta quem vive onde a agricultura não vinga, o fim de tarde em que a serra muda de cor. Este lugar guarda pedras de milhões de anos e uma estação de cem; ela sabe esperar. O que ela não pode mais esperar é médico.
A porta de entrada é um credenciamento — pessoa física ou jurídica, sem promessa de casamento — com inscrições de 27/04/2026 às 08h a 18/05/2026 às 18h (horário de Brasília), pela prefeitura. Paga-se R$ 3,3 mil/plantão 24h ou R$ 1,7 mil/plantão 12h para segurar sozinho o pronto-socorro de um município do tamanho de um pequeno país. O trem não volta mais. Você pode chegar por conta própria.
- A vaga
- Plantonista PS
- Quanto pagam
- R$ 3,3 mil/plantão 24h ou R$ 1,7 mil/plantão 12h
- Vínculo
- Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
- Região
- Norte do Piauí, sopé da Serra da Ibiapaba
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