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Credenciamento · Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais

A cidade que a estrada fez

No Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, nasceu de quem parava na Rio–Bahia e seguia viagem. Ainda espera alguém que desligue o motor e fique.

O município no nordeste de Minas existe porque a BR-116 passou por ali. Nos anos 1940, quando as turmas de Getúlio Vargas rasgavam a Rio–Bahia pelo Vale do Jequitinhonha, o lugarejo que já fora chamado Terra Viamão e Barra dos Pilões virou ponto de parada dos volantes — os motoristas que subiam e desciam a estrada nova. O nome pegou. A cidade inteira nasceu do gesto de quem freia, desce, come alguma coisa e segue viagem. Só virou município em 1995, por plebiscito, depois de meio século como distrito de Itinga.

Hoje são 10.883 habitantes espalhados por 1.212 quilômetros quadrados — nove pessoas por quilômetro quadrado, a maioria na zona rural, em comunidades com nome de córrego: Pilão, São João, Anta Podre. A rodovia que fundou a cidade continua sendo sua veia e sua ferida: o noticiário regional registra acidente atrás de acidente naquele trecho da 116. Quem atende o politraumatizado da madrugada, antes de qualquer transferência, é o médico que estiver ali.

E a economia diz o resto: mais da metade do PIB municipal é administração pública. Não há indústria, não há hospital de grande porte, não há retaguarda a menos de horas de estrada. O paradoxo da cidade cabe numa frase: os caminhões do Brasil inteiro cruzam o município todo dia — e quase nada para. A saúde local é a da atenção primária levada a sério por necessidade, com equipes de Saúde da Família alcançando comunidades rurais como a do ESF Vida Nova, num município onde doenças ligadas ao saneamento inadequado ainda fizeram vítimas nas últimas décadas.

A medicina que se pratica aqui é a de território: conhecer a família antes da doença, decidir com exame que demora, ser o primeiro e às vezes o único nome que o paciente da roça sabe dizer. De manhã, a unidade cheia de gente que veio de longe a pé ou de moto; à tarde, a visita na comunidade; e a certeza de que, se a estrada entregar um caso grave, a primeira conduta é sua. Em compensação, o custo de vida do Jequitinhonha é dos menores do país — e o médico que fica vira, rápido, gente da cidade.

A porta de entrada é um credenciamento de fluxo contínuo, PF ou PJ, com inscrições abertas de 19/03/2026 a 19/03/2027, para Médico PSF, pagando R$ 17 mil/mês. Oitenta anos atrás, a cidade se fez de quem parava um instante e seguia. Ela ainda espera o contrário: alguém que desligue o motor e fique.

O que se sabe
A vaga
Médico PSF
Quanto pagam
R$ 17 mil/mês
Vínculo
Credenciamento · PF ou PJ · fluxo contínuo
Região
Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais
📍 Onde fica
📍Ponto dos Volantes/MG

Agora você sabe a cidade. O edital oficial, os prazos de inscrição e o contato ficam com quem assina.

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